domingo, 11 de julho de 2010

Infância querida...



Eis que recebi tal selinho da queridíssima Déia do lindo blog Rumo à escrita http://www.rumoaescrita.blogspot.com/ E como todo selinho, ele possui algumas regrinhas. A primeira: é postar o selinho no blog com a informação de quem o ofertou. A segunda: é escrever sobre três lembranças da própria infância. E, por último, a terceira (a que tomo a liberdade de modificar): ao invés de indicar apenas dez blogs, deixo o selinho para quem quiser levá-lo, postá-lo no próprio blog e partilhar as três lembranças de sua infância.

Foi assim que, ontem, comemorando meus 38 anos de idade, lembrei-me dos lindos versos, aprendidos no colégio, do poeta Casimiro de Abreu ao dizer:

“Oh, que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras

Debaixo dos laranjais!(...)”

Lembranças de infância são doces recordações que invadem as nossas mentes e os nossos corações. É a infância de alguém que nasceu lá pertinho do Pantanal. Dia de aniversário é assim. Retrospectiva existencial. A minha terra natal, o meu rincão querido traz em seu nome a sua própria definição. Corumbá. “Lugar distante”. Oeste do Mato Grosso do Sul. Fronteira com a Bolívia. Cidade banhada pelo belíssimo Rio Paraguai. Espetáculo da natureza. Em tempos de outrora, importância capital com certeza.









 Cidade branca. Branca da sua riqueza do calcário de suas rochas. Mas alvas não são as lembranças. Não passam em brancas nuvens. A alvura apenas existia no corpo do primeiro cão que tivemos. Ele chamava-se Branco. Era um mestiço de dálmata. Não sei de onde ele veio. Só sei que chegou-nos pequeno. Eu tinha apenas três anos de idade. E esta é a primeira lembrança que me vem à memória. Na ausência de irmãos, Branco era o meu companheiro, o parceiro das minhas brincadeiras infantis. Meus pais tinham um pequeno armazém. Morávamos em casa alugada. E Branco era do nosso lar, o guardião, o guarda. Mesmo depois que nos mudamos para nossa própria casa, o Branco mesmo velhinho, para lá também seguiu. Eu o cuidava com muito carinho. E por muitos anos conosco, Branco, viveu. Deve ser por isso o amor que tenho pelos animais. Além de viver mais próxima à natureza, desde pequena, sempre me recordo que tínhamos sempre um animal conosco. Branco para mim foi o primeiro. E deixou sua marca no meu coração. Seu corpo era branco com pintinhas pretas. Branco, na cidade branca, em Corumbá. Saudosa lembrança, que em pensamento, me leva até lá.




Depois, trago na memória, a escola em que me alfabetizei. Chamava-se (e chama até hoje) Colégio Imaculada Conceição. Uma escola dirigida pelas freiras salesianas. Recordo-me que para, lá, comecei a participar do maternal, já com os meus três anos de idade. Maternal, Jardim I, Jardim II, Pré, Ensino Fundamental. Usávamos uniforme nas cores azul e branca. Os sapatos ou as sandálias tinham que ser brancos. Lembro-me das professoras. Em especial, da tia Angélica, uma professora negra que muito carinho e ensinamento nos dedicou. Lembro-me da freira Otília (que está viva até hoje e vive em Campo Grande, MS) que agüentava os meus choros quando assim que cheguei na escola ainda não havia me habituado àquela mudança. Lembro-me dos coleguinhas. Das festas juninas. Das festas das mães. Do teatro. Das músicas. Das filas que tínhamos que fazer antes de entrar para a sala de aula. Dos dias de sábado com a bandeira e o hino nacional. Das horas alegres do recreio. Dos jogos, de amarelinha, de pega-pega, de queimada e tantos mais. Das orações à Nossa Senhora Auxiliadora. Da canção aprendida: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Eu só sei dizer que eu quero te amar. Azul é teu manto. Branco é teu véu. Mãezinha eu quero te ver lá no céu. Mãezinha do céu, mãe do puro amor. Jesus é teu filho, eu também o sou”! Um agradecimento, um carinho especial, então, às minhas queridas professoras daquela época (que nos proporcionaram a base para a nossa vida). Agradecimento também àquelas freiras queridas. Que, desde cedo, mantiveram em nós a chama do amor a Deus e à Nossa Senhora.



E como não poderia deixar de me lembrar dos meus próprios pais que me transmitiram a vida. Que me acolheram e de mim cuidaram, com zelo e dedicação. Antônio e Maura. Ontem, cedo o telefone, aqui, em casa, tocou. Eram os meus pais. A eles a minha eterna gratidão. Recordo-me dos dois, batalhando pela vida, no armazém que meu pai começou. Tratava-se de um mercadinho de gêneros alimentícios. O pai atendia os fregueses. O armazém era bem sortido. A mãe ficava no caixa. Morávamos no bairro chamado Maria Leite (e até hoje tem o mesmo nome). Próximo dele ficava (fica até hoje) a fábrica do Cimento Itaú. Em dia de pagamento, o movimento (naquela época) era bem intenso dos funcionários que vinham fazer as compras no estabelecimento dos meus pais. Depois, mudamos de casa. E o comércio também aumentou. E, assim foi. Tudo que hoje eu sou devo a eles. Que lá, atrás, com seu trabalho de domingo a domingo. De muitos afazeres e sacrifícios me ensinaram o significado da vida. O que, realmente, a faz valer à pena. Os princípios. Os valores. Lembranças de um tempo que não volta mais. Mas, que com toda certeza, estará sempre guardado no meu coração. Obrigada meus queridos!!




E assim, termino, recordando outro verso de Casimiro de Abreu:

“(...) Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d’estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!”

9 comentários:

  1. Ainda que atrasados, mando o meu abração bem especial pelo niver, desejando tuuuuuuuuuuuuudo dec bom,SEMPRE!!!beijos,chica e lindas lembranças as tuas...

    ResponderExcluir
  2. Bom dia, Chica:
    Obrigada pelo carinho. Beijossss!! :)

    ResponderExcluir
  3. Com um dia de atraso, envio um enorme abraço pela passagem do seu aniversário. Desejando a você, muita paz, muita harmonia e muito amor de Deus sendo derramado em sua vida.
    Beijinhos,
    heli

    ResponderExcluir
  4. Olá, querida
    Recordar a infância é simplesmente perpetuar a felicidade que há em nós, no fundinho do nosso coração... Que fase linda!
    Muita paz pra vc e um grande abraço.

    ResponderExcluir
  5. Obrigada Heli, desejo-lhe também muitas bençãos neste domingo, por aqui, de um belo sol. Beijos no seu coração ;)

    ResponderExcluir
  6. Boa tarde, Rosélia:
    Obrigada pelo carinho. Sim, a infância é um belo tempo de Deus também. Acabei de concluir e participar da blogagem coletiva deste domingo. Agradeço a oportunidade de partilhar a fé. Um grande beijo no seu coração ;)

    ResponderExcluir
  7. Que forma linda de contar sua história em poetizar.
    Meus parabéns atrasados pelo aniversário que vim a saber graças a teu espaço e de sua história a contar.

    Abraços apertados e beijos de carinhos dados.

    ResponderExcluir
  8. Obrigada Hamilton!!! Um bom final de domingo, beijos no seu coração ;)

    ResponderExcluir

Partilhe conosco o seu pensar e o seu sentir!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...