domingo, 1 de abril de 2018

Novo amanhecer....

Cada vez mais, com o passar dos anos, sinto-me mais "descarada", como muito bem falava o poeta e escritor Rubem Alves, que tanto amo ler e reler. "Descarada" para dizer o que sinto. Já que não somos responsáveis pelo nosso sentir. Só por nossas ações. E as palavras que usamos são nossa matéria-prima. Matéria de encantos. De amor. De prazer. Um sentido de vida que tanto admiro e cultivo também nos tantos escritos da querida poeta e escritora Adélia Prado. Dois mestres no escrever poético para mim. De desprendimento. De encantamento. De alegria genuína. E, hoje, acordei assim. Livre. Com a alma e o corpo em ressurreição. Em êxtase profundo. Em Amor total. E captar esta beleza está na minha essência. Como uma sina que o Criador escreveu em mim. Verbo Divino que me faz participar da visão plena e profunda, mas ao mesmo tempo, simples e corriqueira da vida, do amor.

Novo amanhecer....

Nova manhã. Manhã de ressurreição. Manhã de plenitude. E o Verbo que se fez carne e que habitou entre nós. Elevou-se ao Infinito mas antes em nosso corpo morou. Fez-se gente, humano. Com mãos, com olhos, com pernas, com dor, com amor. E as palavras nascem em meu ser. Numa manhã de páscoa. A ressuscitar os sentidos. A ressuscitar o divino. A resgatar na matéria o eterno. Palavras que silenciam. Sentidos que rejubilam. Extasiados. Felizes. Olhos que ouvem. Ouvidos que enxergam. Boca que acalenta. Toque que tem sabor. Pernas que contemplam. Um coração a bater. Ritmo suave. Que maravilha, o viver!! Jesus é mesmo o nosso Salvador! Ele nos salva da imobilidade paralisante. Do nosso ego farsante. Pois no ato de sua entrega total. Eis, ali, o humano e o divino, juntos e misturados. Plenos. “Eis o meu corpo, eis o meu sangue. Tomai e comei”. Profundamente erótico no sentido de força pulsante, de vida. Vida nova. Que, hoje, se derrama nas brechas do nosso ser. Ranhuras ressequidas em meio às nossas secas existenciais. Derrama, Senhor, a seiva da vida. Àgua que nasce e que jorra do Amor sem igual. Que beleza desconcertante. Que alegria provocativa. Que agita. Feito borbulhas de mais viver. Ressurreição. Chão de desejos. Solo de amores. Que faz renascer o humano no mais eterno do ser! Paixão e Morte. Paixão e Vida. Vida plena, vida sedenta. Com fome. Com ânsia de novo amanhecer!! Amém!! 

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domingo, 25 de março de 2018

O desafio da comunicação.....

Em tempos de altas tecnologias, internet, notebook, whatsapp,etc, etc, nunca se encontraram tantas falhas, tantos contratempos, tantos equívocos, no ato de se comunicar. Eis, aí, o paradoxo. Tantos recursos para melhorar e qualificar ainda mais o ato de comunicação e ao mesmo tempo quanta falta de comunhão no expressar as ideias e sobretudo os sentimentos e as emoções. Falta de sintonia. De empatia. Da lógica da compaixão. 
Se a comunicação com tais recursos pertence aos seres humanos, contatamos que cada vez mais, os relacionamentos perdem de humanidade, de solidariedade, de amor fraterno. A linguagem e os recursos de comunicação acabam por tornar-se "limitadores" do que vai dentro de cada um. Limitam, delimitam as dores, os fracassos, os erros, o que não conseguimos transmitir pelo simples falar e escrever. Comunicação fácil e efetiva. Tão longe dos nossos dias. Hoje, só "bravatas", retórica de egos inflados e opressores. As palavras servem para ferir. Os recursos para mais confundir. Para aonde foi a boa comunicação que é capaz de nos ligar num elo de perfeita comunhão? Aonde anda a beleza que nasce do encontro das palavras comedidas, educadas, afetuosas. Tudo vira "gritaria" e "desespero". Não se tem mais esmero no transmitir o que vai dentro do ser. 
Tudo virou do avesso. Até a mais alta corte do país tornou-se reflexo do "lixo" que se tornou a comunicação nos dias atuais. Mas se do lixo material e orgânico podemos produzir adubo para fertilizar a terra e fazer florescer os campos afora. Por que não reciclar as ideias, os sentimentos, as emoções? Por que não transformar o "lixo" da má comunicação em "sementes" de concórdia e de perdão? Guardar mágoas e rancor são atitudes viciadas. São retrocessos na busca de ser melhor. Falar apenas por falar. Escrever por escrever. É apenas um ato mecânico de estar. Todavia, quando tudo isso que falamos e escrevemos, entra no cadinho do nosso coração, ah, ali, sim, misturam-se tudo que há de bom ou não. É uma alquimia de aceitação. Somos apenas humanos. E não podemos deixar-nos vencer pelo que é bruto. Aceitemos as nossas atitudes de desamor, a nossa brutalidade e insensibilidade. Mas não paremos aí. Transformemos as nossas vidas em comunicação de beleza, de paz, de alegria, de perdão, de sinceridade, de espontaneidade, de entrega, de tolerância, de superação. Assim, unidos, não só em palavras, em ideias e conceitos, mas, sobretudo em presença ativa e concreta de verdadeira fraternidade, sejamos mais e melhores, como humanos, como seres que necessitam uns dos outros para nos percebemos mais perto do Absoluto. Eis, aí, o desafio da comunicação! 
Fiquem todos bem! Tenho dito. Amém! 

sábado, 23 de agosto de 2014

Tempo de festim: rosas e alecrim!!


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Hoje amanheci pensando no alecrim


Ai, de mim! Seu cheiro é um festim


Tempero e gostosura


Que o peixe marinou


E assim fiquei a imaginar


Sentindo o aroma do rosmarino


O seu nome oficial


Mas nesta oração olfativa


E por que não dizer também contemplativa


Pensei nas rosas que na cabeça trazia


Santa Rosa de Lima


A padroeira da América Latina


Hoje celebramos o seu dia


Moça nascida no Peru


De descendência espanhola


Cresceu na pobreza


Na lida da terra e das costuras


Santa Rosa, que se chamava Isabel Flores y Oliva


De beleza ímpar


Cultivava as rosas no seu próprio jardim


A fim de vendê-las no mercado


Para o sustento de sua família


Por isso, além da América Latina


A jovem santa também é tida


Como a padroeira das floristas


Aquelas que vendem flores


Que ninguém as quer comprar


Rosmarino parece um hino de amor


Alecrim e rosas


Uma beleza


Perfeita união


Que os povos da América Latina


Sejam de fato irmãos


(E, hoje, os povos do mundo inteiro)


Santa Rosa de Lima com as rosas nas mãos


Rosas na cabeça e no coração


Alecrim dourado que nasce no campo


Sem ninguém semear


Sejam sempre sinais visíveis


Da grandeza e da beleza do nosso Criador



Amém!!


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Delicadezas de Deus....





Beleza, encanto. Eis, aí, então, a nossa participação, com muita alegria e agradecimento. Agradecimento à querida Rosélia pelo convite feito na comemoração de cinco anos do seu maravilhoso blog:





Tempo de festa, tempo de festim, rosas e alecrim....

Que Oxalá, sejam sempre assim

Entre todos nós e todos os povos também


Santa Rosa de Lima interceda sempre por todos nós, amém!!


Paz e Bem, amigos virtuais e Rosélia também!! 


Um abençoado final de semana!! :)



domingo, 13 de abril de 2014

Com os ramos, em Jerusalém....



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A noite silencia o dia. Mas, em nosso coração ainda ecoam as notas dos hinos de Hosana. Aquele mesmo Menino que um dia foi aclamado com o Glória pelos anjos e pastores. Em meio a simplicidade da natureza brilhava uma estrela. Sinal de reverência da Criação ao Filho do Criador. Salve, ó Filho de Davi! Palmas, ramos de oliveira e outros mais, trazemos em nossas mãos. Caminha o Messias. Rumo à Jerusalém. Júbilo, alegria. Rei e redentor. Caminha, caminha. Foram quarenta dias do tempo quaresmal. Quarenta dias no deserto do coração. Quarenta anos já passados daquele Menino nascido em Belém. Foram tantos acontecimentos vividos. Tantas vidas encontradas, curadas, sentidas. Tantos ensinamentos oferecidos, vividos. Cristo, de condição divina, vestiu a nossa humanidade desvalida para nos revelar a face de Deus Pai. Como bem disse S. Paulo aos Felipenses: “(...) Esvaziou-se a si mesmo....fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl. 2, 6-11).  Que homem é este? Cala fundo tal questionamento em nossas almas. Nossas vidas, como a Dele, é sempre resposta ao Amor que nos criou. Fomos também pequenos. Nascemos, crescemos. Erramos, aprendemos. Choramos e sofremos. Cantamos e vivemos. Enfrentamos as nossas lutas, os nossos tormentos. Por momentos, somos trevas, mas em muitos outros, somos luz. Conforto, consolação. Angústia, aflição. Todavia, o Nazareno foi fiel até o fim. Com as armas do jejum, da oração, da caridade, tudo venceu. Foi na entrada de Jerusalém aclamado pelo povo. Mas, sabia o que lhe estava reservado. Um justo, sem nenhum pecado, tomou nossas faltas, nossas dores e por amor se entregou para nos redimir. Quem é este homem? Que passou a sua vida a todos a convidar. Convite à conversão. Ao Banquete do Pai. Curou o cego, pediu àgua à samaritana. Deixou-se humilhar. Ofereceu a outra face. Ao desprezo. Ao escárnio. Perante os homens, às autoridades, não se defendeu. Calou-se. Fez-se silêncio. Como sua Mãe Maria sempre fez. Meditava em seu coração a vontade de Deus. E, nós, procuramos a sua vida imitar. Seguir o seu caminho não é nada fácil. Mas, por outro lado, somente Nele encontramos a verdadeira Paz. E, nós, quem somos para Ele, então? Um Pilatos, uma Maria, os apóstolos, os sumos sacerdotes, os fariseus, os cegos curados, o mesmo povo que o aclamou e que depois o condenou? Quem somos nós? Eis o outro lado da questão. E, hoje, quando ouvia e meditava a liturgia deste domingo de ramos, disse ao Nazareno assim: não sei se tenho vivido como verdadeira cristã nesses quarenta e tantos anos de vida, nesta quaresma. Mas tenho tentado fazer o melhor que posso, com a graça do Pai. Preciso ainda mais melhorar. Orar, jejuar, praticar a caridade, ainda mais. Mudar de vida. Todos os dias. Recomeçar. Viver em família, com os meus e com os outros também. Tolerar mais as dores. Calar o orgulho. Silenciar o meu ser. Senhor, tenho sede da Àgua de vida eterna que brota da sua Cruz que irás enfrentar. O crucificado revela o Amor Maior que pode existir. A sua Cruz é a nova estrela. Pois é vida que vence a morte, é entrega, é doação total, absoluta e incondicional. Amor que, de fato, liberta, resgata, redime. Não é difícil de entender. Pois olhando para os pais que realmente se dedicam, se doam, se entregam aos seus filhos, podemos aquilatar o quanto o Senhor nos amou até o fim. Mesmo que nós, muitas e muitas vezes, não o façamos por merecer. É assim. Por isso, nesta celebração, nesta comunhão, suplico-lhe a graça de estar sempre com a mente e o coração abertos para a Sua vontade. Quero, na humildade, os meus pecados confessar. E como aquele cego, aquela samaritana e tantos outros mais, que não precisaram de muitas explicações, definições, comprovações, mas com o coração feito de carne e de fé genuína, possa lhe responder: Tu és o Filho de Deus, eu creio em Ti Senhor. E, aqui, estou. Nesta Grande Semana. Santa que é. Para lhe acompanhar. Não lhe abandonar. Não lhe ficar indiferente, descrente. Contigo entrar na “Jerusalém”, no caminho do Seu Calvário, dele co-participar. Na sua Paixão e morte de cruz. Compaixão. Para um dia, contigo, viver para todo o sempre! Amém!


Uma boa e abençoada Semana Santa a todos! :)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O amor no alimento...


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Hoje fiquei sabendo que minha tia paterna vai me enviar uma iguaria que há muito queria saborear. Sobretudo, nestas terras onde não há os peixes de lá. Fiquei a imaginar. Aliás, a meditar. Comida, alimento é também uma oração. O tempero tem carinho. E quem comanda é o coração. Uma pitada de bem querer. Outra, de saudade. Cebolinha. Cheiro verde. Cebola. Pimentões. Não são todos estes os ingredientes. Não sei. Mas, com certeza, o sabor é sem igual. Urucum é a semente que colore de vermelho. Do amor que trazemos no peito. Da “terra querida que nos viu nascer”. De todos vocês. Tia, fenomenal. Amor que possui nas suas laboriosas mãos. Mãos que afagam a alma. O tato. O paladar. Toca lá no fundo das lembranças. Partilhar o alimento é também beber nas recordações da infância. Mãos generosas. Que distribui o seu ser. Pois coloca em tudo um pouquinho de você. Será por isso que a visão do paraíso seja mesmo um banquete celestial?! Estar num jardim imenso, convidados para a ceia. Seremos todos iguais. Sentados todos juntos. Partilharemos do Amor magistral. É, o Filho de Deus, deu-se em comida, em bebida também. Afinal, guardada as devidas proporções (analogia de proporção), alimentar o outro é mesmo a maior benção que pode existir. Ato sagrado. Gesto que transmite a vida, a intimidade, o unir. Quando a mãe, aqui, chegar no domingo que se aproxima. Certamente, tia, aqui também de alguma forma estará. No seu carinho, no seu amor, nesse prato que prepara. Que nutre e assinala o encontro dos que se querem bem. Caminhantes, viajantes.  Tia, gratidão. Que sai do coração. Paz e Bem!! Beijão!! : )

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Na paz, a gratidão ao Infinito...


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Agradecer a vida, o ser. Com os erros, o aprender. Nada, nada é em vão. Os dias passam. Movimento contínuo. Começo, meio e fim. Que seja assim. Paz na terra. Não à guerra. Não ao ódio. Basta de indiferença. Basta de sofrimento. Foi dada a sentença: janeiro já é. Pois é.  Do ato à potência. É o movimento. Trânsito, passagem. Qual é a imagem que queremos espargir?! De  bondade, de justiça, de beleza, de harmonia. Qual delas será? Resposta a dar nos 364 dias que virão. O presente é aqui. No agora. Na ação. De que vive uma nação? Do pão sem circo, da razão desapegada. Do coração desalienado. A paz começa em cada um, em sua casa, na habitação onde pulsa o seu ser. Só depende de ti. De mim. De você. Façamos, então, por merecer. Graças ao Pai que tudo nos dá. A vida. A inteligência. O coração. A saúde. O pão. Pela vida do esposo, dos pais, dos irmãos, dos amigos, dos colegas, dos conhecidos, então. Paz e Bem! Paz meu irmão, é muito mais do que uma expressão. Do que a nota de uma canção. Do que uma rima de proporção. Do que o cumprimento de uma saudação. Ela é antes de mais o fruto que nasce no chão das nossas ações. Fruto da justiça de nosso agir. Nos pequenos detalhes. Nas mínimas consequências. Escoa pelo filtro das nossas escolhas. Ecoa em ribombos pelos recônditos da nossa própria consciência. PAZ e BEM! É o que queremos viver. Num dia e em todos os demais. Num ano e nos tantos mais. Eis aí a pauta essencial. Partitura. Receita. Projeto. Mapa. Planejamento. Logística. Composição. Resumo. O sumo. Se a paz é fruto da justiça. Sejamos justos com os que estão ao nosso redor. Os mais próximos, os mais perto. O mundo se perde na guerra, na morte. Mas a sorte dele (o mundo) está nas mãos de cada um. Lutar por justiça é começar dentro de si próprio a transformação libertadora da paz de que tanto o outro necessita. Estar em paz com o próximo e consigo mesmo. Estar em paz com sua  mortalidade e reverenciar o Criador. Quanto a caminhar. Quanto a aprender. Refazer as pontes. Reconstruir as estradas. Recomeçar as trilhas. Movimento de vir-a-ser. Perenizar o transitório. Escapando do ilusório. Das falsas promessas. Religar o que se perdeu. Entre o céu e a terra que habita em cada um de nós. Pós, pós, tudo é pó. Poeira no vento. Sejamos, então, fermento e sal. O que dá gosto, sabor. Sejamos luz e cor. Que dá brilho e fulgor. Na grande messe de Nosso Senhor. Assim nessa passagem que é movimento. De um dia para o outro. De um ano para o próximo. Realizemos por nossas ações, por nossas orações, a tão proclamada PAZ. Paz no coração de cada um, paz para o mundo de todos os povos, de todas as raças, de todas as nações! Paz prá você!! Agradecimento eterno que se abre para o Infinito. Valeu!
 
Um feliz e fecundo 2014 a todos!! ; )

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

"Da terra seca: flores, frutos vão brotar"!!


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O manto da noite ainda está sobre a terra. A escuridão. As trevas. São os nossos desertos interiores. As dúvidas, a falta de fé. Corações de pedra. Cabeças duras. Assim diz São João: “(...) A palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela – mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram. Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus (...)” (Jo 1, 1-18).  Luzes e sombras. Dores e alegrias. Aflições e esperanças. Eis a trajetória existencial. Todavia, no céu de nosso coração surge aquele que é “Sol do alto vindo até nós”. Peregrinamos pelo mundo a fora. Preparamos as nossas casas. E como bem disse Santo Agostinho, “o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Vós”. Afinal, toda a Criação foi por Ti e para Ti, ó Menino, realizada. E toda criatura canta louvores ao Criador. Vivemos num mundo marcado pela dor, pelo sofrimento, pela violência, pela injustiça, pela fome, pelas catástrofes, pelo egoísmo de toda ordem. Nas trevas, vemos os rostos de nossos irmãos que são despojados de sua realeza de filhos de Deus. Crianças, idosos, famílias inteiras. Países em guerra entre os seus. As drogas que tudo destroem. Indefesos e inocentes ceifados no ventre materno. O fel e a maldade que tomam conta do coração dos homens. Falta o respeito por toda a Criação. Todavia, em meio a tantos males e desalentos, brilha alto a Luz verdadeira daquele que quis de nós precisar. Filho Deus, Deus Verdadeiro, Verdadeiro homem quis se tornar. O espanto, o assombro. Nasceu frágil, pequeno. O eterno inseriu-se na História para eternizar o efêmero. Somos feitos para essa Luz. Não para morte. Nem para destruição. Dentro de nós, de cada um, brilha a mesma Luz que agora desponta no mesmo horizonte que outrora era escuridão. Somos centelhas dessa Luz. Vivemos de esperança. A esperança e a fé Naquele que nos redimiu. Cumpriu a promessa dita pela boca dos profetas. Eis que nasceu o nosso Salvador. A razão primeira e última de todo o nosso existir. Fomos por Ele, primeiro, amados. Por isso O buscamos incessantemente. E as trevas nem as adversidades são capazes de abater-nos. Já não estamos sós. O Deus Menino habita entre nós. Caminha conosco. Ama o seu povo. Dá força. Dá alento. Para aquele que crê, para aquele que O aceita, é certeza de participação na sua Glória. Menino Jesus, Carne dos homens, mas Espírito de Deus. Arma sua Tenda entre nós. O Natal que celebramos é o encontro pessoal de cada um com a beleza do seu próprio Criador. É o encontro com Jesus. É o acolhimento no próprio coração. Na própria vida. É o encontro com o Amor que tudo renova. Fica em nós, Senhor. Pois somos fracos e pecadores, sem Ti. Faça-se em nós, a exemplo de sua Mãe Santíssima, a Tua vontade. Arranca de nossos corações o nosso egoísmo, a nossa maldade, a nossa arrogância, a nossa prepotência, a nossa rebeldia, as nossas faltas. No silêncio deste dia que amanhece, Tu estás. Palavra Divina que sempre Se comunica. Presença salvífica. Amigo de todas as horas. Deus Menino para o nosso bem. Abençoa a todos os nossos familiares, nossos amigos, e aos não tão amigos também. Olhai, Menino Jesus, por todos os doentes, por todas as crianças, por todas as vítimas de violência. Pelos desabrigados. Pelos excluídos e marginalizados. Pois a exemplos dos pastores, dos mais simples, como disse o Papa Francisco, são eles os primeiros a abrirem as portas do próprio coração para receber a boa nova do nascimento de Jesus. Somos pedras vivas. Constrói a Igreja de missão e de amor. Fiel a Palavra do Pai Eterno. Vem, Senhor, conosco caminhar. Estamos prontos. Pode nos falar. É Teu todo o nosso coração. Amor infinito nós O queremos amar com nossos lábios e com nossas ações. Por um mundo mais justo, mais irmão. Nossas orações. Vem, Menino, habita o nosso ser! E com a meditação de São Bernardo, queremos Te louvar: “Vós que estais perdidos, respirai! Jesus vem salvar o que perecera. Vós, os doentes, voltai a ser saudáveis: Cristo vem estender o bálsamo da Sua misericórdia sobre as chagas de vossos corações. Estremecei de alegria, todos vós que sentis grandes desejos: o Filho de Deus vem a vós para fazer de vós co-herdeiros do seu Reino (Rm. 8, 17). Sim, Senhor, peço-Te, cura-me e ficarei curado; salva-me e serei salvo (Jr. 7, 14); glorifica-me e ficarei verdadeiramente na glória. Sim, que a minha alma bendiga o Senhor e que tudo em mim bendiga o Seu santo nome (Sl. 102, 1). O Filho de Deus faz-se homem para fazer do homens filhos de Deus”!! Amém!
Um bom dia a todos!! :)

domingo, 24 de novembro de 2013

A caminho sempre...soldados de Cristo Rei!!


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Hoje, celebramos a festa de Cristo Rei do Universo. Ele é o centro de nossa fé. Por Ele e para Ele tudo foi criado. Nele encontramos a razão última da nossa passagem por esta Terra. Dia do Leigo. Daquele que vive nas estruturas do mundo. O “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” foi dito pelo próprio Cristo. Todavia, recordarmos a realeza de Jesus Cristo na história humana até os finais dos tempos não é um mero sentimentalismo ingênuo a ficar restrito à vida privada de nossos lares, de nossas igrejas ou de nossos grupos confessionais. Somos soldados de Cristo. Cristo Rei. Senhor da Vida e da História. Entretanto, o seu reinado não se assemelha nem é igual aos reinados do nosso velho mundo. O Reino de Cristo não se mistura com as ideologias secularizadas. Porém, como leigos cristãos, sabemos que são duas realidades que existem distintamente mas não separadas. Unidas mas não misturadas. Por outro lado, há um laicismo também que tudo mistura, separa, degrada. Todavia, aprendemos com o Magistério da Igreja, na Encíclica Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), do Concílio Vaticano II, que a “legítima e sadia laicidade do Estado” é “um princípio da doutrina católica”. Logo, tributar a Cristo o reinado e a primazia sobre todos os povos e todas as realidades, não ofende de forma alguma tal laicidade já que qualquer Estado enquanto tal não está isento de suas obrigações para com Deus quando se trata da lei natural inscrita em todos os seres. Assim, caso tal ensinamento não seja levado em consideração, instaura-se o reino da morte, da destruição, da devastação, da perseguição, da injustiça que feriu e que fere ainda a dignidade de tantos seres humanos.

Somos soldados de Cristo num mundo carente de sentido sobre as realidades eternas. Num mundo hostil aos valores perenes. Num mundo vazio do autêntico Amor que nos redime do trono de uma Cruz. A cruz ainda continua sendo escândalo para muitos. Para outros, é motivo de chacotas, zombarias, ridicularizações. Quem são estes “loucos” que acreditam num Rei morto num Madeiro?! Quem são estes “doentes” que afirmam que o caminho para chegarmos à salvação de nossas almas é a cruz?! Quem são os “sadomasoquistas” que declaram que o sofrimento nos purifica?!! E os questionamentos profanos parecem não ter fim. Buscamos respostas que se conformem e confortem o nosso próprio ego. Olhando, não queremos ver. Ouvindo, não queremos escutar. Mas o Rei de tudo que existe está lá. Não mais temporalmente e materialmente pregado numa cruz. Porém, o seu Reino é o do serviço, é o da entrega. Fiel à vontade do Pai, Jesus aceitou amar-nos até o fim. Enfrentou mesmo a morte de cruz. Olhando para Ele, para sua entrega total e incondicional, tudo se apequena. Nosso orgulho, nossa vaidade, nossa ambição, tornam-se tudo em vão. A força desse Rei é o amor, é o perdão, é a nossa redenção. Cristo, o novo Adão, renova tudo e todas as coisas pelo seu santo sacrifício.

E se já com S. Paulo, sabíamos que deveríamos combater o bom combate, Leão XIII, mais tarde, irá proclamar que “Os católicos nasceram para combater”. Leia-se, também, os cristãos nasceram para combater. Assim como fizeram tantos e tantos mártires, desde os primeiros tempos da cristandade até os dias atuais. Porém, os dois últimos séculos fizeram milhares de mártires que não abjuram a sua fé em nome e por causa de Cristo Rei. Está, aí, o belíssimo e corajoso testemunho do pequeno, hoje, beato José Sanchez Del Río, um menino mexicano de 13 anos, que participou da resistência civil armada composta por leigos católicos contra o governo tirano de Plutarco Elias Calles, na década de 1920. Lutou pelo direito da liberdade religiosa, pelo direito de proclamar a sua fé em Deus. Escreveu com seu próprio sangue a sua confissão de fé. “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe”!!

E as chagas da crucificação ainda estão entre nós. Hoje, ainda, milhares de cristãos são brutalmente mortos por causa de sua fé. Apesar de ser ignorado pelos holofotes da grande imprensa, o massacre é grande e cruel. O autor do livro “World Christian Trends AD 30 – AD 2200”, o sociólogo investigador, David Barrett, calcula o genocídio de 160 mil cristãos só na primeira década deste milênio e 150 mil para a segunda. Sabe-se, ainda, nos dias atuais, conforme nos lembrou Bento XVI, que o preço pago pela fidelidade ao Evangelho é ser “muitas vezes indicado como irrelevante, ridicularizado ou ser motivo de paródia”. Basta uma rápida pesquisa pela internet no youtube ou em outros sites para constatar uma infinidade de vídeos, artigos, etc, que pululam a rede zombando da fé em Cristo. Todavia, o sangue dos mártires são sementes de novos cristãos. Cristo é a nossa razão de ser. E o seu grande e incondicional amor por nós é a nossa força e a nossa graça.

E para concluir esta reflexão, recordo-me de uma das primeiras cenas do filme “For Greater Glory” (“Cristiada”, a verdadeira história dos Cristeros), onde o velho sacerdote, Pe. Christopher, ao ser interpelado pelo menino José Sanchez Del Río, a fugir e a se esconder na casa de seus pais, para não ser morto pelos federais (do governo de Calles), ele sereno e convicto (mesmo sabendo que iria morrer), responde indagando ao garoto: “Quem és tu se és incapaz de lutar pelo que crês? Não há maior glória do que morrer por Jesus Cristo”! Eis, aí, a profissão de fé do verdadeiro discípulo do Senhor. Não existe verdadeiro amor pelo bem, sem um ódio proporcional ao mal. E o católico, o cristão, é um soldado. Mas um soldado que luta pela salvação eterna. Então, continuemos a lutar. Sempre. A cada dia. A cada instante. Pois por trás de nós há uma miríade de anjos, de santos, de mártires, que nos inspiram e há a graça redentora de Jesus Cristo, Rei do Universo que nos fortalece. Então, “Viva Cristo Rei”!! E sempre as nossas orações por todos os cristãos que lutam com a própria vida nos países do Oriente Médio, em todas as partes do mundo, para não abjurarem a própria fé. Cristo vive, Cristo reina hoje e sempre. Amém!!
 
Um bom e abençoado domingo a todos!! : )

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Mistério luminoso: o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor!


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Na manhã fria e nublada
Nos passos em oração
Meditar e contemplar
Os mistérios da nossa redenção
Os chamados Luminosos
Como os raios tímidos que anunciavam
Na passada silenciosa das ruas desertas
Enfim meditamos sobre a instituição da Eucaristia
Eis, então, que o Nazareno aos seus apóstolos e a todos convida

Eis, aqui, o meu Corpo e o meu Sangue
Tomai e comei
O pão e vinho sementes da terra
Pela graça e pela fé
Transformaram-se no Corpo e no Sangue de Cristo Jesus
Presença real em toda celebração eucarística
É o mesmo sangue, o mesmo corpo

Que na cruz nos resgatou para uma nova vida
Que mistério divino
Presença escondida num pedaço de pão, num cálice de vinho
O Deus-Menino que um dia nasceu em Belém da Judéia
Agora se entrega em corpo e em sangue
Para resgatar-nos das nossas misérias
Quanto amor manifesta no sacrifício perfeito
É Jesus que se doa por inteiro

Nem pouco nem menos
Mas intenso
Pleno
Vem habitar em cada um de nós
Presença santa que todos os nossos males espanta
Santifica nossas vidas
Cansadas, sofridas
Santifica o nosso coração

Inunda-nos no seu Espírito e renova a face da Terra
Para que um dia
Regressos deste nosso Exílio
Possamos, enfim, proclamar
Já não somos nós que apenas vivemos
Mas, sim, o Cristo que vive em nós

É Ele em nossa face que resplandece
No peito a sua cruz
No Coração a certeza
Do seu grande amor, Jesus!
Mistério divino, o Pão e o vinho,
O Sangue e o Corpo de Nosso Senhor!
Amém! : )

 

 

sábado, 16 de março de 2013

Na noite...Francisco chegou!!

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Escrever o ser. Decifrar o querer. Traduzir a essência. Manifestar a transcendência na própria imanência. Peregrinar pelas estradas. Singrar mares revoltos da caminhada. Desce a noite. Mais uma parada. Cobre o céu com o manto de estrelas. Feliz por vê-las. Manifestação da Beleza. Abre a janela, a porta, Francisco. Deixa os raios de luz iluminar a casa do Pai. O incansável Jardineiro. Que semeia onde ninguém jamais imaginou. Sementes eternas de paz, de amor. Escritas no sangue redentor de Nosso Senhor. Escreva, Francisco, que a noite se iluminou. Pois é preciso coragem. É preciso acreditar. E não desanimar. Há os que bebem o vinho da maledicência. Na impaciência. Na incoerência. Na falsa procura pela verdade. Somente destroem. Atacam. Disseminam o fel da própria maldade. Infelicidade. Incapacidade de amar. Envaidecidos. Já não sabem nem mesmo  onde parar. Perderam o rumo, o prumo. O eixo. Não vivem mais neste lugar. Transitam na vaidade e no orgulho de tudo supostamente saber. Mas, veja só as estrelas no céu. A imensidão do universo. O infinito. Somos mais que aparência. Que existência. Que sapiência. Trazemos a marca dos que confessam com a boca, com o coração e com a vida, a grandeza do Criador. Somos feitos de sangue e de carne. Mas também feitos de espírito  de justiça, de paz e de amor. Somos feitos de trevas que se iluminam com a Luz de Nosso Senhor. Por isso, prossiga, Francisco, estamos juntos contigo. Em caridade, em oração. És nosso irmão, nosso pai na fé. A noite é nossa irmã nas sábias palavras do Santo de Assis. Não temos medo da escuridão que adentra pela janela, pela porta de nossa casa. Afinal, onde quer que estejamos. Não estamos sós. Estamos em comunhão. Igreja que caminha na mesma direção. E a Barca continua em missão. A Estrela que nos guia é a Mãe Maria. Rainha da nossa fé. Ao Espírito Santo, a nossa gratidão. Pois soprou, agiu onde quis e lá no “fim do mundo” pescou. Trouxe para nós uma riqueza maior. Riqueza do jeito de ser, da simplicidade, da humildade, da fraternidade, da espiritualidade, da confissão. Na noite do dia 13 último, ele chegou. Bem-vindo, Francisco. Paz e bem nosso irmão!! : )

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Pelos enfermos e pelos Papas....


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Hoje, no dia em que celebramos e oramos pelos enfermos, recebemos a notícia da renúncia futura, no próximo dia 28, do nosso Pontífice Bento XVI. Segundo, o que lemos do próprio Papa, a sua saúde já não permite mais que continue no desempenho do mandato petrino. Ele já está com 85 anos de idade. E sentiu perante sua consciência que já não possui as forças necessárias para comandar e levar a frente a grande “Barca” da Igreja. Enfim, unimo-nos a todos em orações por esse nosso querido irmão, agradecendo por todo bem que fez pela Igreja no seu Pontificado. Que Deus Pai e que Nossa Senhora lhe restaure a sua saúde e lhe conceda sempre a paz dos filhos de Deus! E, falando em saúde, pensamos sempre em nossos queridos que atravessam esse “mar” das doenças e das enfermidades. Penso sempre na minha mãe. No meu esposo. Nos meus parentes. Nos meus amigos. Nos outros e milhares de doentes e enfermos que lutam pela vida. Quando na oração do rosário, meditando os mistérios dolorosos, encontramos Jesus que é flagelado, antes de percorrer o caminho do seu calvário. Ali, Ele se solidariza com a dor humana até o extremo do sofrimento. Em Cristo Jesus o sofrimento recebe um significado redentor, porque ele está unido à fonte do amor, que é o coração misericordioso do Pai. Aí, lembramo-nos que na dor, ninguém pode dizer que sofre sozinho. Pois, Jesus está conosco. E nunca nos deixará. Por isso buscamos a força e a serenidade do seu Amor. Então, nessa manhã de segunda-feira, fazemos a nossa prece. Por todos os que precisam da saúde do corpo, da saúde da mente, da saúde do espírito. Por todos que se encontram nos hospitais, nas casas de saúde, nas clínicas, nas casas, nos lares ou mesmo e, principalmente, aqueles que se encontram abandonados pela família, pela sociedade. Por todos que necessitam do conforto e do alívio dum suporte amigo e fraterno. Por todos eles, pedimos. Por Bento XVI, pelo próximo Papa. Por todos nós. Pedimos, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, que tudo suportou, até mesmo a morte de cruz do seu Filho amado Jesus, pedimos a Ela que esteja junto de todos esses nossos irmãos, segurando as suas mãos, pedindo por elas a Deus Pai. Mãezinha Maura, a senhora está em minhas orações, sempre estará. A sua vida, as nossas vidas, consagro a Deus. Pois é Ele o Senhor da vida e da morte. É Ele o nosso Porto Seguro de onde avistamos na “Barca” da Igreja, a paz de que tanto necessitamos. As nossas orações pelo novo Papa. Muita saúde e paz prá ele também. Que o Espírito Santo esteja conosco até o fim dos tempos. Afinal, foi este o testamento do Nazareno. Amém!
 
Um bom dia, uma boa semana a todos!! : )

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Festa do Sol....

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O dia começou assim nublado, tímido, bisonho. Plantamos os sonhos no jardim da existência. Germinam as sementes. A certeza do presente. Sábado se fez. Sétimo dia. No plano da Criação. Quem gritará pelas árvores?! Quem clamará pelos homens?! Questões intrincadas. Respostas a caminho. Opiniões por demais. Ações a montinho. Voa passarinho. Carrega pro seu ninho. Um pouco de carinho. A cidade desperta. Ficai alerta. Afinal, é carnaval. Sábado de folia. Vã alegria. Num dia nublado. Tom acanhado. Festa pagã. Tocam os sinos. Não do Menino. Mas do mundo "Global", globalizado. Propaganda enganosa. “Coloque a máscara e seja o que quiser”. É a proposta capciosa. Para comemorar o quê? Qual o sentido?! Quimeras ilusórias. Tudo caminha de mal a pior. Pior saúde pública, pior educação, pior qualidade de vida, pior humanidade. Não há fraternidade, não há compaixão. Pseudo união que nada transforma. Onde fica a razão?! Onde está O que descansa o coração?! Pois no coração existe uma ânsia, uma busca incessante. Procura-se pelo Bem que é plenitude, que é solução. Que é transformação, inspiração. Que nos leva a autêntica conversão. Que nos toca o coração. Que nos impulsiona numa nova construção. Fazer novas tendas. Tecer casas, lares, verdadeiramente, humanos. Agir na origem, nas causas. Na raiz dessa bela árvore chamada família. Família humana. Em busca de paz. Em busca de harmonia, de alegria que, de fato, liberta e santifica. E isso tudo só faz sentido nAquele que prá sempre nos amará. Sempre disposto a nos perdoar. Sempre à espera do nosso SIM. Outro dia, lia o “Silêncio de Maria”, e, ali, naquelas páginas, visualizava, aquela Mãe querida, que em seu coração tudo guardava e meditava. Silêncio que não foi ausência nem desinteresse e muito menos alienação. Pelo contrário. Foi sinal, presença, irradiação, comunicação, aceitação, participação de amor e de fé. Maria, mulher em pé! Seja, então, uma festa de paz verdadeira, onde celebremos a vida e a esperança, onde nos preocupemos uns com os outros, onde nos preparemos para a celebração dos mistérios da nossa redenção. Em oração. Festa que espalhe harmonia por toda a Criação!  Parece que a escuridão deste dia nublado já vai radiante com o Sol da Verdade, Cristo Jesus, nosso irmão! Seja assim em mim e em ti, no altar do nosso coração, a festa maior.
Um bom dia, um bom sábado a todos!! : )
 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Sinfonia inacabada....


Imagem da Internet Crédito Artista Douglas Okada
 
 
Não tenho escrito muito. Aliás, quase nada. Pois, nos dois últimos anos, senti a necessidade maior de ouvir do que escrever ou do que falar. A cabeça e o coração estão processando as ideias, as palavras, os sentimentos. É o próprio “deserto”. Todavia, mesmo sendo um “deserto”, onde reina a voz do silêncio, eles (a cabeça e o coração) encontram-se plenos de manifestações. Hoje, ao sair para dar a caminhada da tarde com os cachorros, fui ao Parque da Marinha. Levei não somente a Lady e o Cigano, mas, também, e, principalmente, os meus ouvidos, os meus olhos, para fazer um giro. E neste giro vespertino meus olhos ouviram e meus ouvidos enxergaram. Uma sinfonia de cigarras. Que encheu a nossa tarde, o nosso passeio. Ali, numa parada estratégica, sentimos não somente o calor do sol, mas, também, a “alegria de estarmos conectados com a natureza. Surge, nesses momentos, uma saudade dum certo “paraíso perdido”. Um tempo, um lugar, um momento, onde tudo fazia sentido. Vivíamos em harmonia com os seres. Entre nós. Como numa bela sinfonia da criação. As cigarras, certamente, seriam os violinos da orquestra. Os quero-quero, regentes. Sabiás, e tantos mais, emitem a melodia harmoniosa. Estamos, ali. Em meio a natureza. Cheia de claves, tons, ritmos, notas musicais. Os ouvidos enxergando cada detalhe, cada arranjo. E o solo quem seria, ali?! Com os olhos em escuta, logo, logo, o “paraíso” foi invadido pelos fortes latidos da Lady que avistou uma garça. Ribombos de euforia. Valentia canina. Tá legal. Vamos em frente. Aí, nesta distração passageira, a cabeça já pensou, por que será o nome de cigarra a tal ser. E o que teria a ver com a outra palavra cigarro?! Divagações, “dor-de-ideia”, como bem escreveu Rubem Alves. Mas, voltando para casa, a sinfonia cada vez mais se desvanecia. O som, agora, era dos carros. Da correria. E, mais tarde, será dos fogos de artifício. E a vida segue o seu próprio ritmo. A vida está dentro de cada um de nós. Somos parte dessa harmonia que o Criador realizou. O solo é o Menino Jesus que nasceu e um de nós se tornou. Afinar os nossos instrumentos internos, é lei necessária e vital. Regular as cordas do nosso coração. Uma pausa. Um aquecimento. Deslumbrarmos com os bons sons que podemos emitir. Sons de boa saúde, de alegria, de bondade, de amizade, de paciência, de tolerância, de sapiência, de justiça, de caridade. Daqui a pouco será noite na grande “cidade dos homens”. A sinfonia  está inacabada. Cada um é parte, é instrumento, é voz. Há diversidade de dons. Então, que cada um vista a sua roupa da paz, afine os instrumentos da esperança e difunda a música do amor. Paz e bem a todos nós!!

Os agradecimentos a todos que de alguma forma estão trilhando juntos conosco a nossa estrada. Pais queridos, irmã, irmãs e irmãos de coração, de fé, querido esposo e companheiro, estimados “filhos”, tios, tias, primos, primas, parentes, amigos e amigas de infância, de adolescência, de juventude, amigos de faculdade, amigos, de ontem, de hoje e os que virão, colegas de trabalho, pessoas que passaram por nós, entraram em nossas vidas, que estão em todos os recantos do universo. Pessoas que não conhecemos muito, amigos virtuais. Reais. Amigos das letras, dos textos, das crônicas, das poesias, das artes. Enfim, amigos, sempre amigos. Um agradecimento pela partilha, pela riqueza humana que cada um nos trouxe, e que nos traz. Já andamos um pouquinho. Estamos, aqui, em Porto Alegre, pois é aqui que precisamos estar nesse momento. Momento que enfrentamos a doença dos nossos queridos. E o fazemos com alegria, com fé, com coragem, com paz em nossos corações. Em nossos rostos, a alegria e a esperança, sempre. Cumprimos o mandamento do amor. Para todos vocês e para toda a humanidade, saúde, paz, amor, fé, esperança, o pão material (o dinheiro), o trabalho digno, o respeito, a liberdade de se autoconstruir!! Com o coração exultante, os votos de um abençoado e feliz Ano Novo, 2013 a todos!! : )

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Guri de Belém...


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No silêncio do coração humano, ressoam cânticos de júbilo, proferidos pelos mensageiros celestiais. “Glória a Deus no mais alto céu e paz na terra aos homens por Ele amados”! Hoje, o Verdadeiro Amor nos foi dado. Seu nome é Emanuel, Deus conosco, Príncipe da paz será chamado. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”! A Palavra do Pai abreviou-se e se fez pequena. Numa manjedoura. O Eterno tornou-se sensível, compreensível, palpável, audível aos nossos sentidos, à nossa inteligência e ao nosso coração. Deus se fez um de nós, para nos tornarmos na Sua humanidade redentora, homens divinos. Anunciado pelos profetas, buscado pelos sábios de outrora, a Palavra divina se manifestou. Inseriu-se na história. Fez-se Menino. Revelou-se, por primeiro, aos pobres pastores de sua época. Pobres e marginalizados. Os excluídos do seu tempo. Foi a eles que, primeiramente,  o pequenino se mostrou. Na simplicidade, vamos com eles, novamente, hoje, retornar a também pequenina Belém da Judéia.

Ali, onde a vinte séculos atrás, sob o jugo do Império de César Otávio Augusto, Deus armou a Sua tenda no chão da nossa humanidade desvalida. Uniu em Si o Céu e a Terra. Nova aliança. Esperança profetizada. Promessa realizada. Nasceu pequenino e frágil. Menino Luz que dissipa as trevas da nossa noite e anuncia a chegada de uma nova aurora. Sol radiante que nos renova a cada instante. Deus Menino. Não estamos mais sozinhos. Somos convidados a participar de Sua bondade, de Sua alegria, de Sua realeza. Estrela que nos guia. Que nos leva, de novo, a Belém. Epifania da fé. É assim que a presença luminosa desta criança revela-nos os traços de Deus Pai.  Deus que deseja estar junto a cada um de nós. O Amor que anseia por amar-nos.

O Seu rosto pueril nos interpela a aceitá-lo, a cuidá-lo, a protegê-lo e a amá-lo. O Menino Deus bate a nossa porta. Precisa de cada um de nós. E isso nos desconcerta. Mexe com as estruturas da nossa pseudo autossuficiência. Abala os alicerces dos nossos sofisticados, e muitas vezes, falaciosos silogismos. Questiona a nossa prepotência racional. Desnuda as nossas velhas vestes do individualismo. Desmascara o nosso egoísmo na desenfreada busca somente da satisfação material. Desmistifica o nosso crescente relativismo ético que nada define e tudo aceita. O Seu modo surpreendente de Se revelar na pobreza e na fragilidade da pessoa e da vida, e mais tarde, na Sua paixão e morte redentora, interpela a nossa humana razão. O Seu modo de ser e de se fazer Deus coloca em crise o nosso modo de ser homens.

O Menino Deus de Belém não se apresenta como um Deus com poderes temporais, com exércitos, com reinos. Ele não se impõe à nossa liberdade. Antes pelo contrário. Ele aparece como o verdadeiro homem, imagem e semelhança de Deus, e revela o que é, de fato, ser humano. Supera de muito os nossos modelos sociológicos, psicológicos, antropológicos, históricos, filosóficos de homem. Ele é o Filho de Deus feito homem. É o homem perfeito, o homem como Deus sonhou! Real e transcendente. Quem Dele se aproxima e assimila os seus ensinamentos, os seus sentimentos, o seu modo de ser, encontra a verdadeira paz. Já não existem as trevas, as angústias, os medos, as tristezas, as desolações nos nossos corações. Já não estamos sós. Mas na luz daquele Guri de Belém.

Pequenino e frágil, tão humano, tão divino, Homem-Deus. Com Santo Agostinho, dizemos para nós mesmos: “Desperta, ó homem! Por ti, Deus se fez homem!” (Sermões, 185). E a mensagem de esperança repete-se, também, incansavelmente para todos nós: “Ó homem moderno, adulto e todavia, às vezes débil de pensamento e de vontade, deixa o Menino de Belém conduzir-te pela mão; não temas, confia n’Ele! A força vivificante da sua luz dá-te coragem para te empenhares na edificação duma nova ordem mundial, fundada sobre relações éticas e econômicas justas. O Seu amor guie os povos e ilumine a sua consciência comum de que são uma ‘família’ chamada a construir relações de confiança e de mútuo apoio. Unida, a humanidade poderá enfrentar os numerosos e preocupantes problemas da atualidade: desde a ameaça terrorista às condições de humilhante pobreza em que vivem milhões de seres humanos, desde a proliferação das armas às pandemias e à degradação ambiental que ameaça o futuro do planeta” (Concílio Vaticano II – 1962 a 1965).

E assim, de joelhos, em adoração ao Menino Jesus, diante do mistério da encarnação do Amor que se doa, recordamos de Santo Ambrósio que dizia que “cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é o fruto de todos”. Por isso, dizemos: desperta, homem do terceiro milênio! Abre a porta do seu coração. Deixe o Menino nele entrar. Nele ficar. Somente Ele é a razão, o sentido de tudo o que existe. É o próprio “pão descido do céu” para saciar a nossa fome de paz. A paz de que tanto necessitamos. Deixe que se opere em ti a verdadeira transformação. O amor, o perdão. Um mundo mais justo, mais humano, mais irmão!

Glória e louvor a Ti pequenino Deus Menino! Amém! : )

 

 
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