domingo, 24 de janeiro de 2010

Radicci, um grigo universal...


Foí pouco mais do que 90 minutos de muitas risadas, descontração e diversão. A platéia atenta aos casos, às histórias e às piadas do Radicci, personagem magistralmente interpretado por seu próprio criador, o jornalista, cartunista, maratonista (só mesmo um maratonista com um bom preparo físico para se movimentar e contar histórias sem parar...hehe) e pescador (assim consta no seu currículo...hehe), Carlos Henrique Iotti, natural de Caxias do Sul (“Casias” no sotaque colonial do Radicci). A apresentação aconteceu, ali, no DC Shopping Navegantes, com direito à repetição da dose (não de “vino” Cabernet Sauvignon...hehe) mas, sim, de novo show neste domingo, aos 24 de janeiro de 2010, naquele mesmo local, às 21h. Com muito senso de humor e espirituosidade, Iotti traz o melhor de Radicci, sua mais famosa criatura que o consagrou, definitivamente, como um verdadeiro best-seller, aqui, no Sul do Brasil. E para quem, ainda, não conhece (o que é muito difícil por estas bandas...mas há as pessoas de outros Estados e recantos do nosso Brasil) o gringo ítalo-brasileiro que adora beber um bom vinho no garrafão, está sempre fugindo do trabalho e de sua mulher “Zenoveva “, como ele diz, (uma típica mamma ítalo-brasiliana) segue, aqui, o site do próprio “maledetto” http://www.radicci.com.br/  "Vedi con gli stessi occhi", em sotácon (língua falada pelo Radicci...não é bem o português nem o italiano nem o dialeto), “Vêzam com os zóios próprio”. Radicci é dono de um temperamento forte e esculhambador por natureza. O personagem criado desde 1983, como todo bom descendente de italiano, é da turma do barulho e da paixão pelo futebol, no caso, faz parte da “grande” torcida do Caxias do Sul. Timão. “Fora de série”, disse o Radicci no show...fora da série A, B, C...hehe...mas, como ele disse, “Cê Deus quizé eles zegam lá na A”...hehe!! Então, salve a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul! Tem que acreditar e torcer, gringo! Afinal, diz o chavão que a esperança é última que morre!! Nós é que quase morremos de tanto rir. Não é difícil simpatizar-se de cara com aquele colono. Pois, o Radicci apesar de toda gozação caricatural das características marcantes de sua personalidade, torna-se uma grande homenagem à figura do avô de Carlos Henrique, Leon Iotti, bem como, homenagem à grande família de italianos e seus descendentes que, aqui, no Brasil aportaram. Todavia, não só nestas terras chegaram os italianos. Eles estão presentes em todo o mundo. Com seu jeito característico e único que angaria a nossa simpatia e empatia. Por isso, o Radicci antes mesmo de ser levado para os Estados Unidos da América do Norte e/ou outros países, já nasceu um personagem universal. Ele não é somente dos italianos, dos seus descendentes caxienses ou gaúchos, mas, sim de todos nós que amamos a arte popular e genuinamente simples. Radicci é patrimônio cultural da sabedoria cultivada na simplicidade do campo. Um camponês universal. Por isso, digo-lhe Iotti, parabéns por sua criatividade, por seu talento, por sua persistente capacidade de acreditar e de investir no bom humor. Parabéns por trazer alegria e graça aos corações das pessoas. Este é o verdadeiro show: fazer rir, para fazer pensar! Seja uma dica, se isso for possível: faça o personagem Radicci viajar por todo Brasil também (“Radicci em tour pelo Brasil com sua Ford Rural Willys”). Tenho certeza que os brasileiros de outros Estados e lugares o acolherão com muito carinho. Aliás, há sempre algum gringo carcamano por todo lugarzinho desta imensa nação..hehehe!! Enfim, gostaria de dizer-lhe, que assistindo-o em diversos momentos, guardadas as devidas proporções, pelos gestos, pelas mímicas, sua interpretação me fez recordar do eterno e querido gênio do cinema mudo, Charles Chaplin com o seu inesquecível personagem, Carlitos. Então, aí, está caríssimo, espalhe seu talento pelo mundo à fora!! Grazie mille tante!!!
Radicci na Itália: http://www.radicci.it/




















sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O pai das telecomunicações...


É este o título e a homenagem que deve merecer o ilustre padre inventor e cientista nascido na segunda metade do século XIX aos 21 de janeiro de 1861 nesta cidade de Porto Alegre. No ano de 2011 completará 150 anos do nascimento daquele sacerdote que foi o quarto filho de uma família de quatorze irmãos cujos pais, Inácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, possuiam ascendência inglesa. Pe. Roberto Landell de Moura era antes de mais nada um livre pensador; um profícuo inventor; um cientista nato. E as provas estão, aí, para que todos vejam e constatem. Foram inúmeras contribuições e inovações. Basta citar algumas apenas: foi o pioneiro na radioemissão e telefonia por rádio (por isso é o patrono dos radioamadores do Brasil); precussor na transmissão de imagens (a televisão) teletipo à distância e tantos outros trabalhos, pesquisas e estudos. Aliás, o padre em questão era detentor de um balizado arcabouço teórico aliado a um espantoso lado pragmático que o orientava na construção e na operacionalização de suas úteis invenções. Landell fazia acontecer a necessária união entre teoria e prática. Pois o sacerdote gaúcho “teorizava a vida e vivenciava a teoria”. Além disso, por vocação ministerial e mística era um ardoroso pastor que amava os seus fiéis com estimada e paternal atenção. Todavia, os grandes homens, geralmente, não são compreendidos por seus pares. Não são compreendidos nem apoiados pelas autoridades que pouco caso dispensam aqueles que pelo espírito, pela mente, pelas idéias inovadoras, encontram-se muito à frente do seu tempo e lugar. E com o Pe. Landell de Moura não foi diferente. O peregrino das ciências físicas e metafísicas não recebeu nenhum suporte e aos 67 anos, em 30 de junho de 1928, faleceu, anonimamente, no Hospital da Beneficiência Portuguesa de Porto Alegre, acometido por uma tuberculose. Pelo pouco que li a respeito da figura carismática do Pe. Landell, ainda que houvessem os que o consideravam um “louco e desvairado”, (julgamento próprio das mentes pequenas que não enxergam um palmo à frente do próprio nariz, que dirá erguerem as cabeças enterradas na areia do próprio chão das suas ignorâncias para longe avistarem o horizonte da genuína sabedoria...), ele foi um homem, um sacerdote, um pastor, um ser humano, também, muito querido pelas pessoas que com ele conviveram ou de alguma forma se encontraram com aquele “apóstolo do Cristo”. E é por estas razões, por sua inteligência inventiva provada e comprovada em suas descobertas e invenções de muita utilidade para a humanidade, pela personalidade carismática e caridosa, por todo seu esforço, estudo, pesquisa e ciências, é que com muita alegria anunciamos o início desde, ontem, do acontecimento de eventos alusivos a comemoração no ano que vem do sesquicentenário do seu nascimento. Convocamos, ainda, a população de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, de todos os Estados do Brasil, a aderirem a um abaixo-assinado elaborado pelo Movimento Landell de Moura (MLM), composta por radioamadores, preenchendo o formulário na http://www.mlm.landelldemoura.qsl.br/abaixo_assinado.html clamando bem alto SIM façamos justiça à memória daquele brilhante brasileiro com o reconhecimento pelas autoridades nacionais e internacionais da mais que merecida, ainda que póstuma, atribuição da nota que de fato ele, magistralmente, o foi, a saber: o Pai das Telecomunicações!! Façamos a nossa parte. Sintonizemos as ondas do nosso “rádio” interior e lhe prestemos esta justa homenagem.



Paraíso terrestre...

     É mesmo um pedaçinho do céu a reserva ecológica da família Lima localizada na Vila Picada Verão, entre os municípios de Dois Irmãos e Sapiranga, a 62 km de Porto Alegre. É de se conferir com seus próprios olhos http://www.reservafamilialima.com.br/
     Ao som dos violinos melodiosos vamos percorrendo as belezas naturais daquele lugar que vai surgindo de uma tela desenhada e pintada pelas mãos do Criador.




     Ali, só existem os sons das àguas que correm para tornarem-se cascatas que formam as piscinas naturais. Trata-se do Arroio Feitoria que atravessa àquela propriedade. A mata é nativa. Os animais, as plantas, formam o cenário de harmonia ecológica. As borboletas são brancas, azuis, amarelas. As flores são coloridas e diversas. O cheiro da terra, o tom inebriante das paisagens, os sons tranquilizantes dos seres vivos daquele ecosistema, fazem do seu dia naquele paraíso terrestre um momento encantador. Tudo encanta, ali. Para os apaixonados pelas imagens, pelas fotos, como eu, é estar, de fato, duas, três, quatro, infinitas vezes no “céu”, estando cá na terra. Foi maravilhoso estar lá, ontem, com o querido e queridos familiares. Foi a despedida das férias que se foram rapidamente. O tempo não pára. É preciso retornar do “paraíso” e voltar para a “terra”. Afinal, temos que ganhar a vida com o “suor do trabalho” como nos lembra a sentença bíblica. Todavia, nem “só de pão vive o homem”. Por isso, novas pausas na correria do dia-a-dia também virão. E até lá, seja a dica de um belo e inesquecível passeio para todas as pessoas que querem estar próximo à natureza, desfrutando-a em harmonia e sintonia, por um valor “ecologicamente correto”...hehe..de apenas R$ 10,00 (Dez reais) por pessoa!
































quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Guaíba um lago...

     É esta a conclusão a que chegam os estudos científicos dos especialistas na área. Aliás, nada mais salutar do que trazer à baila as razões daqueles que na sua especialidade nos esclarecem acerca dos conceitos que designam a realidade que nos cerca. Assim é que foi com muita satisfação que em atenção a um anúncio publicado em jornal, participamos, ontem à noite, da palestra e do lançamento do “Manual para saber por que o guaíba é um lago (Análise integrada de geologia, geomorfologia, hidrografia, estratigrafia e história da ciência)”. Trata-se de uma preciosa contribuição dos professores Rualdo Menegat e Clóvis Carlos Carraro, ambos atuantes na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O evento ocorreu no espaço histórico da Associação Rio-grandense de Imprensa (ARI). Parabéns àquela casa que ao ceder o seu espaço colabora no processo de conscientização e mobilização em torno de um tema tão necessário e prioritário no tocante aos finitos recursos naturais como é a àgua, as àguas do Guaíba. Neste sentido, a Lei de âmbito estadual nº 10.350 de 30/12/1994, veio regular e estabelecer o funcionamento dos Comitês de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas no Estado do Rio Grande do Sul. E o que é este tal de Comitê? É um colegiado de entidades representativas dos diferentes segmentos da sociedade e dos órgãos do Governo de acordo com a Constituição Estadual e Federal, como bem salientou a professora Terezinha Guerra, presidente do Comitê para o Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba. Só amamos aquilo que conhecemos. Por isso para defendermos uma causa faz-se necessário compreendermos sem mistura de erros a realidade que visualizamos, no caso, o querido Guaíba. Faz-se necessário entender como ele é e como funciona. Só assim poderemos resgatar a sua integridade paisagística, geológica, geomorfológica, hidrográfica, ecológica, cultural e conceitual já tão “abaladas”. É com este propósito que o presente trabalho destes dois professores, Rualdo e Clóvis, vem jogar luz na ignorância de nossas “trevas” conceituais. Seja, então, a definição apresentada pelo referido estudo que estamos, aos poucos, digerindo e destrinchando na compreensão dos seus postulados científicos, aliás, o conjunto de evidências que apontam para o status do Guaíba como lago são visíveis e incontestáveis, pois a natureza é o que ela é, independente dos nomes, das legislações, das interpretações ou discussões acadêmicas. Constatam os professores: “O Guaíba é um lago costeiro aberto, com influxo fluvial e canal sublacustrino, e margens definidas por enseadas vegetadas por matas de restinga, alternadas por pontas graníticas com matas altas e baixas, banhados e juncais. Na margem norte situa-se o delta Jacuí, resultante da desembocadura de quatro rios – Jacuí, Caí, Sinos e Gravataí -, que se constitui em importante zona de transição dos sistemas fluviais e lacustre” (o.c. Pág. 62). Enfim, o tema é de importância capital para todos já que sem àgua ninguém vive e a fonte única e principal, aqui, em Porto Alegre, é o tão já poluído Guaíba. Precisamos agir rápido para salvarmos a nós próprios e as próximas gerações!















quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Novo olhar...Avatar!

     Desde do lançamento, em dezembro passado, venho observando as enormes filas e a grande procura pela obra cinematográfica mais cara já produzida e a mais revolucionária no tocante aos recursos tecnológicos, ali, bastante explorados. É a arte da projeção de imagens criando um movimento quase real. Simplesmente fantástico!! Não tanto pelo conteúdo em si, mas, sim, pela forma que se propõe como uma nova linguagem de se fazer e de se assistir os filmes neste novo milênio. Confesso que narrações de histórias de ficção científica nunca foram alvos de minha preferência. Não faziam parte do meu espaço real ou virtual. Entretanto, movida pela curiosidade fui assitir, ontem à noite, o épico Avatar. Se a intenção do cineasta de origem canadense era levar o espectador a sonhar num grande sonho coletivo e, assim, num mundo criado a partir da sua fértil imaginação provocar um turbilhão de sentimentos e sensações que nos levam à reflexão, creio (e o digo por mim), que James Cameron, magistralmente, conseguiu. A sala do cinema estava lotada. Todos com os óculos escuros para captar as imagens em três dimensões (3D). Cameron é um apaixonado e como não dizer um obcecado por novidades tecnológicas, eletrônicas e de exploração espacial. Trata-se de um geek como dizem na gíria inglesa. Desde novo a sua imaginação já transitava pela criação de outros mundos. Embora, tenha trabalhado em outras áreas, é graduado em Física, tendo iniciado, também, (mas não concluído), seus estudos em Filosofia. É um curioso por natureza e definição. Imagine o que não faria nas aulas de Cosmologia. O vocábulo “cameron” originado do gaulês (língua antiga que deu origem ao francês) conota o ser “nariz torto”. O nariz do famoso diretor não sei se tem esta nota, todavia, com certeza, o seu extraordinário talento e persistente capacidade não possuem tal marca. Logo, não é de se espantar que os filmes por ele dirigidos entre os quais, O Segredo do Abismo, Aliens – O Resgate, O Exterminador do Futuro 1 e 2, O Julgamento Final, True Lies, e, em destaque, sucesso absoluto do inesquecível Titanic, e, agora, o fasciante e já recordista de bilheteria Avatar, tenham com louvor escrito, definitivamente, seu nome na história do cinema mundial. O sucesso e o êxito sem dúvida são frutos de um grande trabalho de pesquisa, de estudo, de exercício contínuo, talento, paciência e capacidade de acreditar e fazer acontecer. Dispensável dizer que, pelo menos para mim, o conteúdo mesmo fantasioso trouxe várias reflexões em torno da destruição de nosso planeta, da ganância, da falta de respeito, da falta de ética e responsabilidade, enfim, do reinante egoísmo da nossa raça. Deu vontade de não despertar daquele sonho. Pois, ali, em Pandora a vida, a beleza natural e a harmonia entre os seres, os Na'vi e os avatares do bem faziam todo sentido. Será que, um dia, construiremos uma verdadeira Pandora onde todos os seres, realmente, façam parte de uma só alma de amor e fraternidade?! Até quando desrespeitaremos a vida no planeta?! O quê deixaremos para nossos filhos, netos, bisnetos?! Cada um deve encontrar as suas respostas e/ou apresentar novas indagações que nos remetam, novamente, à grande “Árvore da Vida”. Assim, como sabiamente tem proposto o filósofo e economista francês, Serge Latouche no tocante à necessidade do dque ele denomina "descrescimento sustentável".  Enfim, na linguagem Na'vi interpretada a nossa maneira, dizemos: “Obrigada grande irmão James Cameron. O grande guerreiro nos revelou os valores essenciais da vida”! É, você foi a “bolsa cameron” que nos apresentou a nova câmera cinematográfica, abrindo nossos olhos para enxergarmos com um novo olhar o Cameron no espetacular Avatar!! Vamos aguardar, daqui a pouco, o seu novo filme, em outro gênero, que revelará ao mundo a história do falecido Tsutomu Yamaguchi, o sobrevivente de Hiroshima.




















terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Primeiros erros...

“Meu caminho é cada manhã, não procure saber onde estou. Meu destino não é de ninguém, eu não deixo meus passos no chão. Se você não me entende, não vê. Se não me vê, não me entende. Não procure saber onde estou, se o meu jeito de surpreende. Se o meu corpo virasse sol, minha mente virasse sol...mas só chove, chove, chove”...diz a letra da canção...do Capital Inicial. Aqui, chove a cântaros. É, Juremir Machado com seu inteligente artigo “O Haiti (não) é aqui” (Correio do Povo, terça-feira, 19/01/2010), ele (o Haiti) é mesmo aqui, é lá, é acolá, alhures...enfim, o que resulta de positivo e importante do grande embate que se constituiu nos dois grupos, os do contra e os a favor, é que a vida deve ser prioridade sempre. Seja lá ou cá. Somos todos iguais, embora muitos governos, muitas nações, muitos profissionais, muitas pessoas, acreditem que iguais são uns poucos ou apenas uns grupos. Concordo que as antigas metrópoles (Inglaterra, França, Portugal, Estados Unidos e outras) devem pagar a conta e/ou quitar todas as dívidas dos países que foram por eles durante séculos explorados. E alguns ainda continuam a explorar. Mas a Itália de tantos escândalos, pelo que li num noticiário, já resolveu “perdoar” a dívida externa do Haiti para com seu país. Proferiram o “mea culpa”. Como a bondade surge depressa após a poeira de um grande abalo sismíco que sacudiu a terra... É uma rapidez espantosa. Só esperamos que ela não suma com a mesma velocidade que apareceu. Pois será preciso “Sacudir a Terra” para difundir que sem “fé e trabalho” (religiosos ou aconfessionais) nada será eficaz e perene. Seja, aqui, em Porto Alegre, no RS, no Brasil; seja, lá, no Haiti, nos países, no mundo, no planeta. A grande questão é, sempre foi e sempre será o egoísmo humano. A começar por nós mesmos. Será que sempre fazemos alguma coisa sem querermos algo em troca? Eu, também, gosto de escrever e receber o retorno de que os outros lêem o tema em pauta. É a vaidade do escrever...hehe.. Todavia, a boa troca é sempre bem-vinda e salutar. Há a boa troca quando não há vencidos nem perdedores. Pelo contrário, todos ganham. E ganhamos quando tentamos pôr em prática as lições de partilha, de solidariedade, de verdadeira amizade e de proteção e valorização da vida de todos sem distinção. Se provocarmos com o que escrevemos, um pouco de reflexão, já terá valido à pena acreditar que um “Haiti ou haitis novos” são possíveis. Vamos rezar e agir no nosso possível. Afinal, será que nós seres humanos, ditos racionais, somos capazes de produzir (ainda não assiti mas, agora, vou fazê-lo) um filme de grande repercussão de bilheteria nos cinemas, como o tal de Avatar, com os mais avançados efeitos tecnológicos, em 3D, e não conseguimos operacionalizar uma logística que, efetivamente, distribua os alimentos, que contenha a violência, que salve mais feridos, que trate dos necessitados seja no Haiti, aqui ou acolá?!! Não estamos persistindo em nossos “primeiros erros”?! Errar é humano, mas persistir no erro, diz o ditado popular, é diabólico ou no mínimo uma grande estupidez. Façamos a nossa parte então, com ou sem chuva.







segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Pequenas ações...grandes vitórias...

     Ainda em meio ao turbilhão de notícias sobre o Haiti, começo dos campeonatos estaduais de futebol, entrega dos troféus às atrizes Meryl Streep (“Julie & Julia”) e Sandra Bullock (“The Blind Side”), escolas preparadas para o Fórum Social Mundial, vitória no Chile de Sebastián Piñera, raio que caí atingindo salva-vidas em Xangri-Lá, a divulgação das vinhetas do Carnaval nas ondas globais, as suas cortes pelo Brasil (Pepeu Gomes que o diga...), concurso do Banrisul que movimenta o domingo, o Fórum Mundial de Juízes, vacina contra a toxoplasmose, mobilização da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul em alerta contra a Dengue, Hebe Camargo inicia sua luta contra o câncer, no ar a “Boçalidade Baixo Besteirol” (BBB da Globo), filmes em cartaz: Amor sem escalas, A Fada do Dente, O Nome Dela é Sabine, o septuagenário ator Morgan Freeman afirma em alto e bom som: “Não sou um ícone negro”, à espera pela cantora pop star Beyoncé, aplausos para a corajosa declaração de Kaká: “Não gosto de blasfêmia. Não suporto. Aqui na Espanha se blasfema menos do que na Itália” (mamma mia...), o divertido e instrutivo artigo do médico escritor Moacyr Scliar sobre “O suor em controvérsia” (e o calor persiste e o suor também..hehe..), a inspiradíssima escritora gaúcha Lya Luft com sua crônica “Trabalhar e sofrer” desperta-me do meu dolce far niente e me recorda que volto à labuta na segunda-feira próxima...e como é bom nada fazer, dar asas à imaginação do ócio criativo e divagar pelos meandros da vida!

     Ah, a vida...sempre ela...eis que encontrei, hoje, no Jornal Novo Hamburgo (Grupo Sinos), ações de vida. Belíssimos textos tanto da professora Anamaria Cachapuz Cypriano (“Maternidade – doçura”) quanto, e, principalmente, da pedagoga e coordenadora do Projeto Apoema, Berenice Gehlen Adams (“Mudando de visão”). Sem dúvida, devem ser lidos e refletidos. Anamaria, assinala as lições de amor ensinadas aos homens pelos animais. Berenice, aponta, criativamente, como saída para o caos que se tornou a vida neste planeta, a mudança de visão. Merece citada a sua conclusão: “Precisamos nos 'desformatar', ou 'atualizar nosso sistema', e quem sabe será possível começar um novo texto: eu aprendo, tu aprendes, nós aprendemos e mudamos a humanidade” (jornal citado, painel Opinião, pág. 10). Genial. Parabéns, Berenice e Anamaria! Parabéns, Grupo Sinos que publica os textos opinativos por parte das pessoas comuns e cidadãs.
     E como tal jornal circula, principalmente, no Vale dos Sinos, só me resta aplaudir também a iniciativa de participação do município de Sapiranga (a conhecida “cidade das rosas”), na adesão ao Projeto “Jornal NH na Sala de Aula”, que estimula a leitura em família (crianças e pais), desenvolvendo o salutar diálogo entre os mesmos. Bela iniciativa. Bela ação de cidadania. Parabéns a Campo Bom, Estância Velha, Novo Hamburgo, Rolante e São Leopoldo que, também, encamparam tal experiência.
     E experiência, solidariedade, ação de cidadania, tem de sobra, também, o consciente professor de educação física, Ubirajara Brites que a 18 anos, dedica-se a uma justa causa. Coloca o esporte, a ginástica, a atividade física, os seus conhecimentos profissionais à serviço da melhora da saúde física e mental dos internos do Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. Ubirajara e outros profissionais resgatam a autoestima daquelas pessoas pois com o exercício físico desintoxicam os organismos das drogas, liberam deles a ansiedade e o estresse. Atenuam os efeitos colaterais dos remédios. E com a prática dos esportes (vôlei, futebol, bocha), dos passeios, da música, auxiliam na mudança do comportamento daqueles pacientes. Tornando-os menos pacientes e mais agentes da própria história. Parabéns, Ubirajara!!
     E, assim, Berenice, lendo sobre estas ações e iniciativas, refletimos e participamos da sua conclusão, a saber, estes são cidadãos que estão transformando a sua realidade, mudando a sua visão de mundo, mudando o mundo que os cerca. São pequenas ações...mas, grandes vitórias. Valeu!





domingo, 17 de janeiro de 2010

Viver é preciso!

     Aviso aos navegantes: viver é preciso! A vida urge a cada segundo, a cada instante. É ela que teima em escapar sob os escombros do malsinado terremoto no Haiti. A vida, como a flor de Carlos Drummond de Andrade, rompeu os destroços, venceu o ódio, o tédio. Nasceu de sua mãe resgatada nas mãos de uma tenente médica brasileira: Daniela. Dani nasceu para ser mais uma criança haitiana. A vida em meio ao cheiro de morte surge mais vigorosa. E se depender daqueles heróis brasileiros que, lá, engrossam as tropas pela paz, então, ela será mais uma criança salva de um mundo que a priva de apenas ser uma criança. A capoeira, o futebol levados pelos brasileiros atenuam o sofrimento. Os sorrisos surgem naqueles rostos pueris. É preciso continuar. “Navegar” é preciso! Viver é urgente! E a vida continua. Retoma seu caminho. Basta de gangues rivais! Haitianos fugindo de outros haitianos. A miséria já é demais. Os problemas maiores ainda. Há fome, há doenças, há a triste sina daquelas crianças condenadas à morte por inanição, morrendo lentamente em agonia por falta de alimento. Mais o povo não perde a alegria. As imagens daquelas mãezinhas franzinas que carregam um balde de àgua como se fosse um troféu. É mesmo um troféu, uma vitória da vida. Foi preciso uma tragédia como essa para que o mundo voltasse os olhos para a nudez miserável do povo haitiano. O Haiti é lá e é aqui também. É no mundo inteiro, onde existem pessoas vilipendiadas nos seus direitos humanos. É responsabilidade de todos. De todos os países e de cada um. Estamos todos no mesmo barco, viajantes na mesma e grande “canoa” denominada Terra. Logo, “navegar” é preciso! Esquecer o terror. Buscar outros sobreviventes. Cuidar dos feridos. Reconstruir o país. Restabelecer a vida. Não adiantam os lamentos. Não adiantam as lamúrias. As pessoas necessitam de ações eficazes. Entrega de alimentos. Reconstruções de suas casas. Defesa e cuidado de suas crianças. Afinal, quem salva um pequeno, quem salva uma vida, salva o próprio mundo! Pois a vida não tem preço. Não tem concorrência. E ela ressurge viva para derrotar todas as mortes. Zilda Arns, vítimas do terremoto, brasileiros civis e militares, suas vidas não foram em vão! A cruz está, lá, intacta. Sinal de esperança. Da fé e do trabalho que devem continuar! Pois a vida é isso. Tropeços, derrotas, caídas, desastres, tragédias, feridas. Mas é acima de tudo recomeço, ponto de partida para outras histórias de vida!! Viver é preciso!! Vamos lá!!



Nasceste para ficar em pé!

     Estive por cinco dias distante do meu blog envolvida com atividades prementes e necessárias. Desliguei-me um pouquinho do mundo. Mas não tanto. Afinal, desde segunda-feira passada diversos foram os acontecimentos ocorridos no Brasil e no mundo. Notícias pela televisão, pelos jornais, pela internet. Notícias anunciadas de boca em boca para todos os ouvidos que quisessem ouvir. E como já dizia o Cristo: "Qui potest capere, capiat"! Em vernáculo: “Quem tiver ouvidos, que ouça”! E eu, infelizmente, ouvi. Ouvimos todos nós, na terça-feira passada, a triste notícia do terremoto que reduziu a poeira e a escombros a capital haitiana de Porto Princípe. O Haiti é considerado o país mais pobre das Américas (do Sul, Central e do Norte). Colônia de exploração francesa até o início do século XIX, foi o único país onde escravos trazidos da Àfrica conseguiram uma rebelião bem-sucedida em 1803. Todavia, a “independência” obtida dos franceses e entregue nas mãos de Jean-Jacques Dessalines, em 1804, que se declarou seu imperador, em nada contribuiu para a construção de uma nação livre, solidária e justa. Antes pelo contrário, tornando-se “território de ninguém”, o Haiti foi dominado por uma súcia de dirigentes criminosos. Várias intervenções estrangeiras, inclusive dos U.S.A. A perversa dinastia Duvalier. Papa Doc (Paizinho Doutor como era chamado) e seu filho sucessor, Baby, foram tão destrutivos e arrasadores com aquele país quanto o foi este trágico terremoto. Os prejuízos materiais e humanos são gigantescos. O mundo terminou de desabar no Haiti. Entre o que restou em pé, o portão do cemitério local vaticinava o colapso que se tornaria Porto Princípe, com a seguinte inscrição em francês: “Sou-vennons-nous que tout est poussière”. Ou seja: “Tudo era mesmo poeira no Haiti”.

     Mas uma mulher, uma brasileira, ali, estava para contrariar a lógica tirana da morte cultural daqueles tão miseráveis e despossuídos haitianos. Nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, a médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns Neumann, incansável defensora da vida, sobretudo a das crianças, fez ecoar, naquela fatídica tarde de 12/01, na casa paroquial da Igreja Sacré Coeur de Tugeau, onde proferia uma palestra a leigos, religiosos e religiosas, os ensinamentos que a Pastoral da Criança, por ela efetivada, desde 1983, vem difundindo para todas as mães deste nosso Brasil. Medidas simples e eficientes no combate à mortalidade infantil. Entre as quais, o soro caseiro (duas medidas de açúcar e uma de sal), a multimistura (feita de casca de ovo, arroz, milho, semente de abóbora e outros ingredientes singelos). Zilda acreditava na vida, vida em abundância para todos, para todas as crianças do Brasil e do mundo. Viúva e mãe biológica de seis filhos, tornou-se por sua doce mas firme personalidade, a “mãe” das muitas crianças que conseguiram sobreviver à poeira da ignorância e da morte. Sua fé moveu montanhas, mudou vidas, tranformou o mundo. Relata o tenente Strapazzon que a acompanhava para servir de intérprete, naquele dia, e que havia saído do prédio minutos antes, que Zilda foi atingida na cabeça por uma viga do teto que desabou. A ilustre senhora catarinense de 75 anos morreu em pé, “combatendo o bom combate” como proclamou S. Paulo.
     E esta é a vida do bom cristão. Fazer da própria vida um serviço de amor ao próximo. Promover a vida em sua plenitude sempre. Muitas vezes, destes trágicos acontecimentos, despertamo-nos do nosso egoísmo e da nossa comodidade e a exemplo de vários brasileiros e estrangeiros, voltamos os nossos olhos para aquele país miserável, enxergando as nossas próprias misérias humanas, as nossas “trevas” de ignorância. E, aí, motivados pelo exemplo de uma mulher cidadã, passamos a agir perante os nossos mais próximos e mais necessitados. É o mistério da vida e da morte. É a sina daqueles que verdadeiramente são capazes de amar. Nada foi em vão, Zilda Arns. O Haiti, o Brasil e o mundo não irão sucumbir na poeira dos escombros da morte. Pois sempre haverá outras Zildas, outros cristãos e cristãs que farão a diferença. E na mesma fé que a impulsionava a seguir em frente, hoje, lendo uma mensagem que recebi de uma pessoa amiga, que belamente comparava a firmeza que os passarinhos tem em não cair dos galhos por causa dos tendões dos seus joelhinhos dobrados com os joelhos humanos dobrados em oração, constatamos que com seus joelhos dobrados pela aceitação do projeto de Deus em sua vida, nasceste para ficar em pé! Assim como todos os países, como todas as crianças do mundo inteiro. Obrigada Zilda! Que Deus a tenha!






domingo, 10 de janeiro de 2010

Preçe domingueira à Aparecida

Rumo a Aparecida

Espera, ó, Mãezinha do céu
Desfaz o véu das nossas incertezas e inseguranças
Transformai as nossas vidas
E alcançai-nos a graça
Nestas nossas andanças

Mãe sem igual
Que a todos acolhe
Livrai-nos de todo mal
Iluminai os nossos caminhos
Destrói os espinhos
Que insistem em nos ferir

Mãezinha de Aparecida
Virgem, ó, Senhora nossa
Mãe do Brasil e também nossa
Protegei-nos com seu manto sagrado
Desviai-nos de todo pecado
E permanecei sempre ao nosso lado!
Amém!




sábado, 9 de janeiro de 2010

O verão é aqui abaixo do equador...

Explica-se: o verão é aqui abaixo da linha do equador. Porto Verão Alegre. Alegre Verão do Porto. Porto Alegre no Verão. É, quem pensa que, aqui, em Porto Alegre só existe o frio inverno. Engana-se. Pois quando chega o verão o sol é escaldante e tórrido. Altas temperaturas e chuvas repentinas anunciam o início de mais um verão na capital gaúcha. A cidade está pronta para receber, de 12/01 a 11/02, a 11ª edição do Projeto Porto Verão Alegre. Nos meses de janeiro e fevereiro a capital esvazia-se devido ao período de férias escolares, viagens e devido a procura pelas praias no litoral, assinalando o momento do tão sonhado, como dizem por aqui, veraneio. Descando merecido, diga-se de passagem. Entretanto, para aqueles que por motivo de trabalho, de saúde e outros, não podem ausentar-se da cidade, o Porto Verão Alegre surge como uma grande alternativa cultural de lazer e diversão sem maiores desgastes físicos e, sobretudo, sem maiores gastos financeiros. Afinal, toda economia é bem-vinda para fazer frente aos compromissos com os impostos de início do novo ano: IPTU, IPVA, e, logo, logo, matrículas, material escolar, etc, etc. Tal projeto é maravilhoso pois populariza a cultura oferecendo aos que, aqui, permanecem opções a preços populares (e algumas delas até gratuitas) com apresentações de teatro infantil e adulto, literatura, música, artes plásticas, exposições fotográficas, artes gráficas, pinturas, esculturas, cinema, etc. Estará, por aqui, também, entre as várias apresentações de cantores e músicos, a afinadíssima sul-mato-grossense, Tetê Espíndola, que muito bem representa a arte pantaneira do nosso querido Estado do Mato Grosso do Sul. “Você prá mim foi o sol, de uma noite sem fim e acendeu o que sou e renasceu tudo em mim”, diz a letra da sua tão conhecida canção. Lá vem chegando o verão, Alceu Valença. Já chegou. Que sejam abertas, então, as atrações do criativo Porto Alegre Verão, pois com a Tetê, cantamos: “Que surpresa ele nos preparou. Meu amor, o nosso amor, estava escrito nas estrelas, estava sim”!! Bom verão, boa diversão!!




sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A arte das imagens

     Hoje, dia 08 de janeiro, comemoramos o dia nacional da fotografia, dia nacional do fotógrafo. A comemoração é nacional pois foi D. Pedro II que trouxe esta arte ao Brasil. O fotógrafo é o pintor das imagens que são fixadas pela ação direta da luz. E quanta beleza o olhar atento aliado a sensibilidade estética do artista consegue captar numa imagem que se eterniza para todo o sempre. É a arte de tornar a-temporal o que pertenceu a um tempo e também a um espaço. É como se ao toque de Midas as paisagens, as pessoas, as imagens se transformassem em momentos eternos. Fixação do movimento, da vida em todas as sua formas. E quem não guarda entre suas coisas as fotografias de família, de lugares visitados, de pessoas que amamos, de paisagens contempladas em momentos plenos de êxtase?! Hoje, com a ajuda da computação e da tecnologia com câmeras e demais apetrechos modernos, podemos ampliar ainda mais a nossa capacidade de arquivo, podemos aprimorar ainda mais o nosso voo em busca das melhores e mais tocantes imagens que ficarão gravadas para sempre em nossas lembranças pessoais e coletivas. Penso que todo mundo, inclusive esta que escreve, deveria, um dia, aceitar o desafio de realizar um curso para iniciante na arte de fotografar. Pois, assim poderemos desenvolver a nossa percepção, aguçar o nosso olhar observando os detalhes que fazem toda a diferença. E quem sabe, assim, como novéis, mas, principalmente, como apaixonados pela arte das imagens, poderemos nos tornar artistas participantes do divino toque de eternizar as nossas vidas e encantar a toda humanidade. Afinal, dominar com maestria e capacidade tal arte requer talento e exercício. Fotografar é uma forma muito poderosa de comunicação. É uma arte que mediante o deleite e a contemplação da imagens leva as pessoas a encontrarem a si próprias. É atitude de crítica, de contestação, de encantamento e, principalmente, de transmissão de amor! Parabéns, então, a todos os fotógrafos. Os profissionais e os iniciantes. E também aos que ainda não se iniciaram em tal arte mas que, certamente, em momento apropriado o farão. Sejam as belas imagens a nossa comemoração:
























Vim, vi e venci!

     A presente mensagem “Vim, vi, venci” é atribuída ao grande general romano, Júlio César, quando comunicou ao Senado de Roma uma de suas vitórias marciais. À guisa de tantas batalhas e guardadas as devidas proporções parece que a história teima em repetir-se, aqui ou acolá, em tempos remotos ou em tempos mais próximos. Não imaginava o que veria no recém lançado filme biográfico, “Lula, o filho do Brasil”, quando para atender o pedido de minha mãe, lançei-me na aventura de assistir com eles a vida de Luís Inácio (hoje, Lula) da Silva na tela do cinema GNC, no Praia de Belas. Fomos na primeira sessão da tarde. Nada mais propício, já que o período é de férias e naquele horário teríamos o cinema mais tranquilo e livre. Dito e feito.

     Confesso que não me preocupei em saber a priori o que circulava a respeito do já tão comentado filme. Não queria saber da crítica especializada nem dos entendidos em política ou coisa parecida. Até porque não estava e não estou interessada na política partidária, nas disputas eleitoreiras, nas contendas entre partidos políticos com seus discursos demagógicos e enganadores. Não fui, ali, para realizar nenhuma catarse de conversão partidária ou de definição de alguma candidatura à presidência da república no pleito deste ano. Assim como, também, não estranhei o patrocínio recebido do Senai, da Camargo Corrêa, GDF Suez, EBX, OAS, da Ambev, da Odebrecht, da Volkswagen, da Souza Cruz, da Hyndai, do Grupo JBS-Friboi, do Estre Ambiental, da Neo Energia, CPFL, da Grendene e da Oi. Fui com a alma livre de quaisquer pré-conceitos. Afinal, queria ver com meus próprios olhos, perceber e sentir com meu próprio coração, pensar, analisar com minha própria cabeça e razão. E foi o que fiz.
     As cenas do inicio do filme são de uma beleza dramática sem ter exageros ou excessos de tensões sentimentalistas. Está tudo na medida exata. A história se inicia em 1945, no sertão pernambucano, na cidade de Garanhuns. Um mês, aproximadamente, após a partida de Aristides para Santos, nasce o menino Luís, o sétimo filho de uma família de oito irmãos. O realismo das cenas retratam o problema tão antigo daquela região do Brasil: a pobreza, a miséria resultantes da seca e da “cerca” que destrói as vidas de muitos Luíses, Severinos, Lindús, Marias, Josés e tantos outros. É a história de tantos nordestinos, de tantos brasileiros. No pau-de-arara partem retirantes a caminho de Santos. Na expressão do menino: “Caem no mundo”, em busca de dias melhores. São 13 dias, 13 noites e, finalmente, em 1952, chegam ao seu destino. Todavia, o problema de alcoolismo e violência do pai os levam (a Lindú e seus filhos) a partirem para S. Bernardo do Campo. E, ali, se passa toda a trajetória da formação como torneiro mecânico, o primeiro casamento e, em seguida, a perda da esposa e do filho; o segundo casamento; a participação no Sindicato.
     Entretanto, o que mais me chamou a atenção, além da beleza das cenas, da interpretação magistral daqueles maravilhosos atores e atrizes, da trilha sonora, do conteúdo da história em si, foi aquela relação amorosa estabelecida entre mãe e filho. Entre dona Lindú e o menino, o jovem e o adulto Lula. A mãe foi uma presença constante. Semeadora de um caráter íntegro. Sábia conselheira em meio às dúvidas e incertezas do filho. Sempre se doando e protegendo sua família. Mulher retirante e simples que pediu ao filho que nunca se esquecesse de onde tinha vindo, que não se esquecesse de sua origem humilde. Que tivesse paciência e sempre persistisse. Sem dúvida, como tantas outras mães, e também a minha, ela foi o porto seguro e a inspiração para todas as vitórias alcançadas pelo seu filho. Um dos tantos filhos do nosso querido Brasil. Que Deus abençõe a todas as mães. Obrigada mãezinha pelo presente. E a você, Lula, as palmas da vitória, pois à exemplo do romano Júlio César, cumpriu seu destino fazendo acontecer o seu “Vim, vi e venci”!!





quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Epifania da natureza, epifania da esperança

     Hoje, uma jovem estrela é a inspiração nesta noite chuvosa. Muitos objetarão estupefatos: estrela com chuva?! É maluquice. Realmente, seria trágico se não fosse duas realidades ligadas pelos fios mágicos dessa natureza que sempre nos surpreende e nos encanta. A natureza sempre se manifesta indicando-nos os seus sinais. Precisamos é afinar os nossos corações para percebê-la. Aliás, o vocábulo epifania origina-se no grego e significa manifestação. Também era uma noite, mas sem chuva, quando aqueles três sábios, ditos Magos do Oriente, deixando-se, intuitivamente, guiar pelos sinais da natureza, encontraram o Menino para reverenciá-lo. E estava, lá no céu, uma bela e brilhante estrela. A estrela de Belém. E os três homens, traziam em suas mãos, os presentes que essa mesma natureza poderia oferecer ao Deus Menino: a mirra, o ouro e o incenso. Ali, estavam, o africano Baltazar, o asiático Gaspar e o europeu Belchior representando toda a humanidade que se deixou guiar pela estrela e se ajoelhou perante o Filho Daquele que tudo havia criado. Era o quadro da harmonia entre homens, Deus e a natureza! A verdadeira epifania do amor!

     E a natureza é assim. Perfeita e harmoniosa. Há uma ordem em todo o universo. Uma sinfonia invisível emanada de todos os corpos como vibrações cristalinas compondo uma Ode esperançosa ao Criador. Apesar das desgraças, da dor, do sofrimento provocados pela irracionalidade humana que tudo mata e destrói, hoje, cedo, uma estrela tão bela quanto a de Belém, brilhou! E não é loucura. É a epifania da natureza manifestando aquela sabedoria já a muito esquecida. Por isso, sentimos sempre uma espécie de nostalgia por um sítio, uma casa na praia, no campo. Uma saudade de um paraíso perdido onde o que prevalecia eram as leis do amor, do equilíbrio e da harmonia. Harmonia com a natureza da qual fazíamos partes integralmente. Aprendíamos com os animais e com os bichos. São Francisco que o diga. E, hoje também, ao ler a notícia de que uma cachorra de 18 meses, denominada Angel, salvou um menino de 11 anos do ataque de um animal selvagem, na cidade de Boston Bar, no estado de British Columbia, no Canadá, convenci-me da manifestação de uma simetria, de uma beleza, de um amor genuíno que impulsionam esses seres, tranformando-os em verdadeiros anjos de quatro patas.
     A epifania que percebi na estrela que hoje cedo brilhou se chama esperança. Ao abrir o presente blog constatei o comentário de um jovem pleno de vida e de amor. É um sinal de que nem tudo está perdido. Ainda existem jovens comprometidos com a construção de mundo melhor. Esse jovem pensa com a própria cabeça e percebe os sinais da natureza oferecendo ao mundo a sua contribuição. Brilhe Júlio Alt! Realize o seu projeto de preservação da Orla do Guaíba. Ilumine Porto Alegre com sua luz! Incendeie os corações de outros jovens nas chamas do amor à natureza, ao meio ambiente, à vida nesse nosso planeta, ao nosso universo. Parabéns pela sua iniciativa em semear a vida com suas plantinhas. Certamente, o nosso querido Guido está numa daquelas estrelas que enaltecem a obra do Criador sorrindo para todos nós!! Hoje, as suas palavras me guiaram até as palavras daquele maravilhoso educador, Rubem Alves, que sempre nos presenteia com um otimismo, uma alegria e uma esperança tão vivos em sua escrita. Seja, então, suas palavras uma epifania da natureza, uma epifania de uma permanente esperança: “Acho que o verdadeiro, sobre São Francisco, não é que ele tenha pregado aos peixes, aos pássaros. A verdade é que ele ouviu o sermão das àrvores. Por isso ficou tão manso, tão tranquilo. Ele tinha a beleza das àrvores. Estava reconciliado com a vida. Então os pássaros fizeram ninhos nos seus galhos e os peixes comeram dos seus frutos que caíam na àgua...”. Sejamos, então, belas árvores, sinais, manifestações de esperança!!







terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O pardal tupiniquim

“Piaf” é um vocábulo em francês que nomeia um pássaro, um pardal. Este foi o termo atribuído à mais popular cantora francesa de todos os tempos, Édith Piaf, nascida em Paris, França, no início do século XX (1915). Dois anos depois, em 1917, nascia em terras brasileiras, na cidade paulistana de Rio Claro, àquela que se tornaria a Rainha da Voz no Brasil, a saber, Dalva de Oliveira. Ambas de origem pobre, com vidas marcadas por tragédias e tristezas pungentes. A vida, a trajetória musical e artística do nosso pardal tupiniquim foi estreada, ontem, pela minissérie “Dalva e Herivelto – Uma canção de Amor”, de autoria de Maria Adelaide Amaral. Dalva interpretou os mais belos samba-canção dos anos 30. Samba-canção que traduzia o amor romântico, o amor não realizado. E foi Dalva que interpretando a versão brasileira do Hino ao Amor popularizou uma das músicas mais belas que Édith Piaf ofereceu ao mundo por intermédio de sua voz melodiosa. Talvez, este hino seja mesmo o resumo da vida de duas mulheres sofredoras mas guerreiras e independentes, que dedicaram a vida à arte da música popular. Cada uma a sua maneira e em seu próprio chão. Como disse e cantou Piaf: “Je me fous du passé! Non! Rien de rien. Non!”, em vernáculo, “Não me importa o passado! Não lamento nada”! Tudo passou. Tudo passará. Para as outras gerações e para toda eternidade ficará a tradução do maravilhoso Hino ao Amor, cantado e interpretado por Dalva de Oliveira, a Rainha da Voz, o nosso pardal tupiniquim: “Se o azul do céu escurecer. Se a alegria na terra, fenecer. Não importa, querido. Viverei do nosso amor (...)”. Bravo, Édith! Bravo, Dalva!



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Boca de Rua transformando vidas

O Boca de Rua é um jornal alternativo de publicação trimestral, iniciado em 2000, como um projeto vinculado à Ong denominada A.L.I.C.E (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação). O Boca surgiu da iniciativa de duas jornalistas, a saber, Rosina Duarte e Clarinha Glock que foram ao encontro dos moradores de nossas ruas e praças. E foi a caminho da consulta médica de meu marido que, no final da tarde de hoje, próximo à Avenida Osvaldo Aranha, adquirimos de um rapaz (participante do mencionado jornal) a primeira edição trimestral do Boca de Rua neste inicio de ano novo. E tal edição está sensacional! Muita criatividade e talento por parte daqueles que são os atores principais na feitura deste jornal impresso, a saber, as pessoas em situação de rua e de risco social de Porto Alegre. É, de fato, um jornal genuínamente democrático. As pautas são definidas por votação em reuniões periódicas. Todos participam em grupos com sugestões e ficam responsáveis pelas pautas que são distribuídas entre os mesmos. Os que não sabem ler nem escrever participam com sugestões, opiniões e fazem perguntas para as entrevistas. Quem é alfabetizado anota o que os outros dizem. Os próprios moradores realizam as entrevistas, montam as pautas, fotografam, organizam as informações obtidas e transcritas. A diagramação é feita por Rosana Pozzobon. Depois, o material é enviado à gráfica do jornal O Pioneiro de Caxias do Sul.  De lá, o jornal vem de ônibus mediante a A.L.I.C.E e é distribuído aos integrantes do Boca que o vendem as pessoas pelo valor de R$ 1,00 nas sinaleiras das ruas e avenidas movimentadas. A renda obtida pertence e é revertida aos próprios vendedores. Enfim, é a democratização da comunicação. Há também o Boquinha (inserido no Boca de Rua) escrito pelas crianças, adolescentes e jovens de rua. O primeiro exemplar do Boca de Rua circulou em Porto Alegre no ano de 2001 na ocasião do primeiro Fórum Social Mundial. E de lá para cá, já se vão 10 anos. Oxalá, passem 20, 30, 40 e mais anos, sempre promovendo a educação e a cidadania daqueles que são marginalizados e excluídos da nossa sociedade. Que tal veículo seja a voz dos sem voz que vivem nas ruas e que clamam por justiça social, por condições dignas de vida. Cabe, ainda lembrar, que o Boca de Rua já produziu três documentários e um vídeo de ficção, além de duas exposições fotográficas (Faces da Rua e A dupla Face da Rua). Produziu, também, um livro literário (Histórias de Mim - Escrituras do Povo da Rua - Editora Quixote). O jornal já obteve os seguintes prêmios, a saber: Prêmio Direitos Humanos 2002; Prêmio INSP - The International Street Paper Awards 2008 - Best Vendor Essay - A fresh perspective from the street; Prêmio Pontos de Mídia Livre do Ministério da Cultura/2009. Enfim, só nos resta parabenizar esta iniciativa por parte de profissionais comprometidos com os despossuídos. Parabenizar aos moradores de rua que com suas vidas vão escrevendo a sua própria história! E para aqueles que, além do jornal impresso, quiserem participar e acompanhar o Boca de Rua pela internet, segue o endereço: http://www.bocaderuanainternet.blogspot.com/
E para finalizar seja este pequeno texto produzido por uma das crianças, adolescentes que assim se expressou:
"Tem gente que tem identidade, mas não tem carteira de identidade. Tem gente que tem carteira de identidade mas vive mudando de identidade, imitando os outros, se fingindo do que não é". Genial e essencial!!! Parabéns!!! Bravo!!!






Desastre das àguas. Maestro da paz e da felicidade para todos.

Antes do mais, agradeço, de público, a rica contribuição do seu comentário Canto. É assim que começamos a transformação do mundo. A partir de nós mesmos, do diálogo construtivo com os nossos mais próximos. Obrigada! Neste domingo quente e ensolarado, li as notícias dos jornais, assisti às reportagens televisivas. Enfim, todas remetiam ao desastre das àguas seja no episódio do deslizamento do Morro da Carioca, na praia do Bananal, em Ilha Grande, Angra dos Reis/RJ, seja nas cidades paulistanas de Cunha, São Luís do Paraitinga, seja na própria "Paulicéia Desvairada", de Mário de Andrade, na dita Vila Romana, Zona Leste, cujas enchentes a tornam fétida e inacessível; seja nas cidades de Belo Horinzonte e de Juiz de Fora em Minas, seja no episódio da enchente de Duque de Caxias, na conhecida Baixada Fluminense. Em todos os casos, os prejuízos materiais e humanos são enormes. E, realmente, vem à tona os seguintes questionamentos: de quem é a responsabilidade? Até onde, como muito bem disse o repórter Paulo Henrique Amorim, no "Domingo Espetacular", chega a ser somente catástrofes naturais ou interferências desastrosas do homem nessa mesma natureza? Onde estão as autoridades? Onde está o juízo e o bom senso das pessoas?  Afinal, como bem disse um cidadão comum em Ilha Grande, não é preciso ser nem geólogo nem engenheiro para saber que as encostas são instáveis e nelas nada se deve construir. Aliás, para isso existe e deveria funcionar o Estatuto da Cidade (lei municipal que planeja o desenvolvimento, a ocupação territorial das cidades). Onde está a fiscalização? As pessoas constroem suas moradias sem qualquer preocupação sem qualquer esclarecimento acerca de um meio ambiente sustentável. Não falta normatização, como muito bem lembrou em entrevista um geólogo, em programa televisivo. Falta vontade política em efetivar o bem comum a todas as pessoas. Falta interesse pelo bem da grande maioria desprovida de conhecimento formal e de análise crítica e analítica da realidade que os cercam. As pessoas que em consequência do movimento de urbanização acelerada e do crescimento desordenado das cidades, são impelidas pela pobreza a construirem suas casas em zonas de morros, de lugares acidentados, em lugares distantes do centro, sem condições dignas de habitação e moradia, deveriam se mobilizar organizando-se e cobrando das autoridades públicas medidas efetivas, soluções imediatas e urgentes para o problema da ocupação irregular do espaço urbano. Não podemos terminar 2010 e iniciar 2011 com as mesmas consequências das enchentes que, certamente, existirão e/ou conviver com os riscos de novos deslizamentos, de mais mortes, destruição, tristeza e dor. Sem dúvida, que o aquecimento das àguas do Pacífico, é fenômeno antigo. Todavia, isso não invalida a constatação de que a intervenção do homem, vem acelerando e contribuindo para os desastres naturais. Afinal, na natureza há uma ordem e uma harmonia estabelecida. E toda vez que tal ordem e tal harmonia é quebrada, ela (a natureza) procura compensar a sua perda buscando uma saída para a agressão sofrida.  E, aí, sim, vêm as consequências da irresponsabilidade humana perante o planeta, perante a toda humanidade. Afinal, estamos todos no mesmo "barco", à deriva, em busca de paz e de felicidade. Todavia, os interesses econômicos da especulação imobiliária, do turismo irresponsável, das empresas, dos governos, que somente visam o lucro e vantagem própria, do egoísmo humano, da falta de solidariedade, da ausência de consciência crítica, imobilizam a todos os que se deixam levar pelas ondas do que é ilusório, supérfluo e transitório.  As autoridades não fiscalizam, fecham os olhos, lavam às mãos. As empresas de turismo, os empreendimentos comerciais não têm compromisso com o ambiente, com a verdadeira felicidade das pessoas. Ninguém se preocupa com o bem comum. É cada um por si, Deus por todos e o diabo solto, como diz o ditado popular. Muitos veículos da mídia em nada colaboram, exceto alimentar uma ideologia que paralisa a cabeça das pessoas. As leis que não são efetivadas, na prática, também sustentam e mantém o status quo. Nada modificam. Todavia, no mar de toda essa "lama" física e também imaterial, surge as lições que, neste momento, são bastante oportunas já que se trata de um grande geólogo (no meu entender o maior de todos os tempos no Brasil e no mundo), com formação jurídica que trilhou o caminho do magistério, da pesquisa séria e independente, a saber, o baiano, Milton Almeida dos Santos, o maestro da paz e da felicidade para todos. Pois, ensinava o culto, refinado, combativo e crítico professor, que a maior coragem nos dias atuais é pensar. Pensar com a própria cabeça e lutar pelas idéias que incluam a todas às pessoas sem distinção. Sua luta era por uma outra globalização. Uma globalização, com respeito ao meio ambiente, à natureza, com justiça social, com condições dignas para todos. Globalização que unisse todos os homens e mulheres de boa vontade na busca da paz e da felicidade do encontro com o outro, com o próximo. Pois só somos verdadeiramente felizes quando o outro também o é! Então, vamos acreditar e efetivar a lógica da vida, dos valores em função da dignidade de todas as pessoas em primeiro lugar! 

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 começou...

     Começou o ano novo. 2010 já chegou. Chega como um verdadeiro tsunami nas àguas transparentes de Ilha Grande na baía de Angra dos Reis, naquele lugar paradisíaco denominado Costa Verde. Uma tragédia. Trágica também a situação de algumas cidades paulistanas que sofrem com as chuvas intermináveis. Enchentes no sul. Acidentes, mortes nas estradas. No sul, no centro da capital gaúcha, hoje, uma cena dantesca: um pai, certamente, muito adoecido na mente e na alma, atira sua filha de apenas três anos de idade do décimo segundo andar e, em seguida, joga-se pela janela de encontro ao chão daquele edifício. Parece um filme de horrores. Mas é a vida real.  O mundo e as coisas estão agitados no turbilhão das ondas da realidade fria e crua. E o ano novo já começou. E a vida não pode parar. Teremos 363 dias, agora, para sermos melhores. Melhores como pessoas. Somos responsáveis pelas interferências desastrosas na natureza. Não respeitamos a ordem e a harmonia existentes na criação divina. Não respeitamos as vidas humanas nem de outros seres que partilham dessa mesma jornada existencial. Ainda não aprendemos que, hoje, a solidão, a depressão, a despersonalização das pessoas em busca do ilusório e do transitório, o egoismo reinante em nossa sociedade, matam e destroem as mentes, minam os corações enfraquecidos, trazendo tristezas, amarguras, remorsos e desespero. Entretanto, ainda temos tempo. Tempo para resgatarmos a nossa sintonia com a natureza. Tempo para reconciliar-nos com os valores que sinalizam e enaltecem a vida em sua plenitude. Pois, se não podemos dominar as catástrofes naturais, por certo podemos identificar a nossa responsabilidade no acessar o gatilho que provoca a destruição da vida. Hoje, assistindo um vídeo, recebido de uma pessoa amiga, observando o nosso planeta como um pontinho azul pequenino, percebi que somos bem menores do que a imensidão do (s) universo (s). Entretanto, mesmo pequenos, somos capazes de inciar uma revolução de proporções gigastescas, pois temos a liberdade de nos modificarmos e transformarmos o mundo em nossa volta. E cada um deve responder por sua própria parcela de contribuição. Ainda há tempo. Afinal, como diz a letra da música: "fé na vida, fé no homem, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será"!
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